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As Diretrizes da Ação Evangelizadora de Jesus e o processo de planejamento pastoral

As Diretrizes da Ação Evangelizadora de Jesus e o processo de planejamento pastoral

O significado da palavra diretriz vem do latim “dirigere”, é relacionado ao conjunto de normas, orientações e proposições que favorece

O significado da palavra diretriz vem do latim “dirigere”, é relacionado ao conjunto de normas, orientações e proposições que favorece a organização dos processos, a fim de obter um determinado resultado.   Esta definição permite entender o que significa, para a Igreja Católica do Brasil, esta caminhada planejada e com um objetivo bem claro: a evangelização em vista do Reino de Deus.

Primeiramente olhamos para Jesus Cristo. Quais eram as diretrizes que nortearam a evangelização de Jesus? No Evangelho de Mateus, 5,1-11 encontramos Jesus proclamando as “bem-aventuranças”. É interessante notar que Jesus viu as multidões – esta é a primeira observação de uma diretriz – ver a realidade. Jesus está de olhos abertos para discernir os sinais dos tempos. É uma atitude própria de Deus, que já no Êxodo diz: eu vi o que o meu povo está passando”. Esta sensibilidade de conseguir observar o mundo em suas várias nuances e mudanças é um dos critérios para o planejamento pastoral.

Depois de observar, Jesus ensina. Ao observar a realidade, Jesus faz o discernimento, escuta a voz do Espírito, que permite perceber a necessidade de instruir as pessoas. Ensinar é uma atividade profundamente humana e divina. Não que as pessoas fossem sem conhecimento. Os que estavam ali com Jesus tinham o senso comum da fé, daquilo que ouviam na sinagoga dos mestres da lei e dos antigos. Mas este jeito de ensinar impedia que o planejamento pastoral avançasse. Ficava restrito ao seleto grupo daqueles que sabiam todas as leis. E aos demais, sobrava nada. O modo de Jesus ensinar passa pelos três estágios que o Papa Francisco: ensinar passa pela cabeça, pelo coração e pelas mãos. É a formação integral do ser humano, baseada nos princípios de Jesus Cristo: cabeça, mãos e coração.

A cabeça lembra que o conhecimento do Reino de Deus precisa passar por uma mudança de mentalidade. As nossas experiências de senso comum da fé, isto é, aquilo que aprendemos da caminhada da vida tem o seu valor. Porém, ser discípulo de Jesus exige mais do que se contentar com esta experiência primária da fé. Ela exige a iluminação da fé. Mais do que adquirir conhecimentos religiosos, Jesus ensina sobre Deus, revela Deus, nos dá a conhecer Deus.

O coração é o projeto de vida é por onde pulsa a vida do discípulo. Na passagem dos discípulos de Emaús, ao final da ceia, veio a conclusão: ardia o coração quando ele falava pelo caminho e explicava as escrituras. Foi este coração ardendo de amor que fez os fujões voltarem para testemunhar a fé aos discípulos e ajudar a comunidade a encontrar a verdade: Ele realmente ressuscitou. Portanto, Jesus toca o coração das pessoas para que o projeto de vida delas seja sustentado pelo mesmo projeto de Jesus. Como diz o Pe Leandro de Mello: “ter o nosso coração pulsando no mesmo ritmo cardíaco do coração de Jesus”.

As mãos se referem ao o novo agir. Mas esse agir é mais do que fazer coisas, cumprir com deveres, metas, fazer ações tidas como pastorais, mas que não são evangelizadoras, isto é, não incluem os envolvidos nos processos. Isso se chama fazer para os outros: celebrar a missa para os outros, tocar violão na missa para os outros, dar catequese para os outros, dar palestra para os outros, fazer caridade para os outros, visitar os outros. Isso é o que o Papa Francisco chamou de Martismo. Como ele mesmo disse aos cardeais da cúria romana em 2013:  “A doença do “martismo” (que vem de Marta), da atividade excessiva, ou seja, daqueles que mergulham no trabalho, negligenciando inevitavelmente “a melhor parte”: sentar-se aos pés de Jesus”.

Por este motivo que a evangelização é uma constante práxis. Esta categoria teológico-pastoral nos insere no constante processo = cabeça, coração e mãos – inteligência da fé, conversão e atitudes renovadas a partir de Jesus Cristo. O papa Paulo VI diz que “Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição.” (E N 14). Evangelizar, segundo Paulo VI é perpetuar o tríplice múnus de Jesus Cristo – pregar, santificar e cuidar de todos, para que todos tenham vida.

Portanto, tanto o papa Paulo VI quanto o Papa Francisco, assumem a evangelização numa dinâmica de processos contínuos para todos os fiéis batizados, ministérios ordenados, vida religiosa consagrada e serviços pastorais da Igreja. Evangelizar não é fazer para os outros. Em primeiro lugar, o destinatário da evangelização é o discípulo-missionário num processo “ad intra”, isto é, voltado para dentro do coração da comunidade, a fim de que possa ser cada vez mais coerente o que realiza “ad extra”, para cativar e iluminar o caminho daqueles que se aproximam da comunidade cristã.

As diretrizes de Jesus continuam ainda hoje inspirando em nós os processos de bem aventuranças e promovendo um contínuo movimento de iluminação da fé, da vida e das atitudes.

 

Pe Mateus Danieli.

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