No dia 8 de março é celebrado internacionalmente o dia da mulher. Esta data foi oficializada pela ONU no ano de 1975 por recordar a organização das mulheres em uma greve no ano de 1917, na Rússia, as quais reivindicavam direitos trabalhistas para as tecelãs, bem como os graves problemas sociais gerados pela guerra.
Desta organização feminina até hoje, muitas foram as conquistas das mulheres no mercado de trabalho, na vida social, política, empresarial e na relação de direitos iguais frente ao mundo masculino. Porém, a prática mostra que a realidade ainda não é o esperado. Os casos de feminicídio só aumentam. Os lares conduzidos por mães solo e avós solo também cresce. Sem falar que os salários ainda não são compatíveis com as funções masculinas, e que, ao chegar em casa do trabalho, o segundo ou terceiro turno começa com as funções do lar e da educação dos filhos.
O Papa Francisco, na exortação Evangelli Gaudium manifestou todo o seu carinho pelas mulheres em situações difíceis no mundo. Conforme o Papa: “Duplamente pobres são as mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência, porque frequentemente têm menores possibilidades de defender os seus direitos. E todavia, também entre elas, encontramos continuamente os mais admiráveis gestos de heroísmo quotidiano na defesa e cuidado da fragilidade das suas famílias” (EG 212).
Se, por um lado, no mundo civil a realidade feminina é complexa e assustadora. Na vida eclesial vemos uma situação diferente. Em nossas comunidades católicas, a presença das mulheres em funções evangelizadoras tem crescido e sustentado processos em todo o mundo. Desde espaços nos dicastérios da cúria romana até os mais diversos ministérios das comunidades de base, mulheres são responsáveis por conduzir a ação evangelizadora e permitir que a Boa Notícia do Evangelho continue sendo anunciada no hoje da história.
Conforme anuário católico do Brasil, temos aproximadamente um número de 120.130 catequistas e ministros da palavra no país. Destes, 80% são mulheres. Outra força feminina na ação evangelizadora é a presença da vida religiosa consagrada que consta de 27.182 mulheres em ação pastoral (IN: www.cnbb.org.br). Não se trata de números especulativos, mas de mulheres evangelizadoras. Sem contar a presença delas nos conselhos de pastoral, nos conselhos econômicos, na participação da liturgia e ministério do canto, nas cadeiras das faculdades de teologia, nas pastorais sociais, nos grupos de mulheres, na Cáritas e em todo o serviço de caridade da Igreja, na frente de movimentos eclesiais, grupos de oração e grupos de família, na ornamentação dos templos, nas secretarias paroquiais, na coordenação de pastoral, enfim. O todo da vida eclesial é amplamente marcado pela presença das mulheres.
E, citando novamente o Papa Francisco, na exortação Evangelii Gaudium, na parte em que ele chamou de outros desafios pastorais, ele reflete: “ A Igreja reconhece a indispensável contribuição da mulher na sociedade, com uma sensibilidade, uma intuição e certas capacidades peculiares, que habitualmente são mais próprias das mulheres que dos homens. Por exemplo, a especial solicitude feminina pelos outros, que se exprime de modo particular, mas não exclusivamente, na maternidade. Vejo, com prazer, como muitas mulheres partilham responsabilidades pastorais juntamente com os sacerdotes, contribuem para o acompanhamento de pessoas, famílias ou grupos e prestam novas contribuições para a reflexão teológica. Mas ainda é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja. Porque “o gênio feminino é necessário em todas as expressões da vida social; por isso deve ser garantida a presença das mulheres também no âmbito do trabalho” e nos vários lugares onde se tomam as decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais.” (EG 103).
Ademais, esta nobre presença das mulheres nas estruturas eclesiais, sendo nomeadas para assumirem dicastérios e estruturas de governo na própria hierarquia da Igreja. Sem entrar em polêmicas, mas essa presença das mulheres, exercendo o seu papel e fazendo a sua parte na ação evangelizadora já é um sinal bastante importante para a humanidade. Enquanto que o mundo apresenta um movimento agressivo e um comportamento de violência, a Igreja tem aberto espaços de diálogo, criado pontes, construído uma relação bonita de sororidade. Tem muito a crescer neste caminho, mas já é um avanço imenso. Enquanto a sociedade ainda tem a violência contra a mulher como uma resposta para a crise entre masculino e feminino, a Igreja Católica tem apresentado uma estratégia de acolhimento, de carinho e de abertura para a fraternidade e a sororidade. Cito aqui o Papa Leão em sua mensagem para o dia da mulher de 8 de março de 2026: “As mulheres são protagonistas e criadoras de uma cultura de cuidado e fraternidade indispensável para dar futuro e dignidade a toda a humanidade. Talvez também por isso hoje elas são agredidas e mortas, porque são um sinal de contradição nesta sociedade confusa, incerta e violenta, porque nos indicam valores de fé, liberdade, igualdade, geratividade, esperança, solidariedade, justiça. São esses grandes valores que, ao contrário, são combatidos por uma mentalidade perigosa que infesta as relações, produzindo apenas egoísmo, preconceitos, discriminações e vontade de domínio.” (IN: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2026-03) .
Viva as mulheres e suas lutas sociais! Viva as mulheres e sua participação na ação evangelizadora! Viva as relações de equilíbrio e harmonia que masculino e feminino devem exercer na construção de um mundo de fraternidade e sororidade.
Pe Mateus Danieli – Coordenador de Pastoral