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“Recebei o Espírito Santo”.

“Recebei o Espírito Santo”.

O fogo é divino, é símbolo do sol que dá vida, aquece e permite ver. O fogo se reparte em

“Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: ele que falou pelos profetas”. É assim que o Creio diz quem é o Espírito Santo, como nos relacionamos com Ele e como atua. Quando falamos de uma pessoa normalmente dizemos o que ela fez e faz, descrevemos suas habilidades e suas obras. Poucas vezes nos ocupamos em dizer o que uma pessoa é em si mesma. Igualmente, quando nos referimos ao Espírito Santo usamos imagens, falamos de suas obras e manifestações. A liturgia de Pentecostes nos faz mergulhar neste mistério (Atos 2,1-11, Salmo 103(104), 1Coríntios 12,3-7.12-13 e João 20,19-23).

O livro de Atos dos Apóstolos quando relata o Pentecostes usa duas grandes imagens: “veio do céu um barulho como se fosse uma grande ventania” e “apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles”. O vento e o fogo atingiram a comunidade reunida. O ruído forte vem de repente do céu, vem de Deus. É o sopro criador de Deus que fez criar o mundo como lemos no Gênesis. Deus fez o homem do pó da terra e soprou-lhe nas narinas. Deus comunica sua vida no novo povo de Deus.

O fogo é divino, é símbolo do sol que dá vida, aquece e permite ver. O fogo se reparte em línguas, mas o fogo é um só, cada um o recebe, mas todos o recebem juntos, ninguém está sozinho. Todos somos diferentes uns dos outros, mas todos recebem o mesmo fogo. Na Carta aos Coríntios São Paulo reafirma esta realidade. O Espírito multiplica os dons, carismas e serviços, mas “a cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum”, para formar um corpo.

Em Jerusalém estavam pessoas de vários povos, línguas e nações. Os povos citados historicamente foram inimigos de Israel. Em Pentecostes, todos voltam a ser um, “pois todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua”. O novo povo de Deus que se forma, a Igreja, provém de todos os povos. Desde a origem a Igreja é católica, esta é a sua essência mais profunda. Constantemente a Igreja deve abrir as fronteiras entre os povos e romper as barreiras das classes e raças. Mesmo povos inimigos precisam conviver na Igreja e se reconciliar em Jesus Cristo, alimentar-se na mesma Eucaristia.

As imagens usadas no Evangelho são mais discretas. Nisto está a grandeza de Pentecostes. Deus se revela de múltiplas formas. Os apóstolos, depois da morte de cruz de Jesus, estão com medo e trancados em casa. O Cristo ressuscitado entra e os saúda duas vezes: “a paz esteja convosco!” Quando vivemos situações difíceis a tendência é se trancar para colocar-se a salvo e para não ser incomodado pelos outros. Cristo vai ao encontro deles para tirá-los do fechamento e enviá-los em missão. “Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. Jesus lhes garante que não estarão sozinhos na missão, por isso sopra eles e diz: “Recebei o Espírito Santo”. Se os fatos horríveis da morte de cruz indicavam a vitória da morte sobre a vida, a vitória do mal sobre Deus gerando medo e fechamento, os apóstolos necessitavam do sopro de vida. Com todas as limitações humanas, mesmo assim Deus habita em nós.

Jesus recorda os apóstolos de uma missão muito importante que terão na evangelização: “A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados”. Assim como Jesus que veio ao mundo não para condená-lo, mas salvá-lo, do mesmo modo os apóstolos serão instrumentos de salvação. “Jesus pode conceder o perdão e o poder de perdoar, porque Ele mesmo sofreu as consequências da culpa e dissolveu-as na chama do seu amor. O perdão vem da cruz; ele transforma o mundo com o amor que nos doa. O seu coração aberto na cruz é a porta pela qual entra no mundo a graça do perdão. E unicamente esta graça transforma o mundo e edifica a paz” (Bento XVI).

Na liturgia de Pentecostes a Igreja canta: “Espírito de Deus, enviai dos céus um raio de luz! Vinde, Pai dos pobres, dai aos corações vossos sete dons. Consolo que acalma, hóspede da alma, doce alívio, vinde! No labor, descanso; na aflição remanso; no calor aragem. Enchei, luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós! Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele. Ao sujo lavai, ao seco regai, curai o doente. Dobrai o que é duro, guiai no escuro, o frio aquecei. Dai à vossa Igreja, que espera e deseja, vossos sete dons. Dai em prêmio ao forte uma santa morte, alegria eterna. Amém, amém!

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo

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21 de maio de 2026

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