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O planejamento pastoral no espírito de bem aventurança

O planejamento pastoral no espírito de bem aventurança

Quem são estes pobres em espirito no processo de planejamento pastoral?

Jesus proclama as suas diretrizes e chama de felizes os pobres em espírito (Mt 5,1-11). Quem são estes pobres em espirito no processo de planejamento pastoral? Aqueles que estão abertos a vontade de Deus, as pessoas livres para realizar processos, prontas para abrir suas vidas e seus corações a Jesus Cristo, que tudo torna novo. Como disse o papa Francisco aos jovens na exortação pós sinodal Cristus Vivit: “CRISTO VIVE: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida.” (ChV 1).

O pobre em espírito, dentro da dimensão do planejamento pastoral, é aquele que se abre a novidade dos sinais dos tempos, a entender que o horizonte do Reino de Deus já está entre nós, mas ainda não em plenitude. É aquele discípulo capaz de fazer o processo da igreja em saída. Esta Igreja em saída, segundo o próprio papa Francisco: “A Igreja “em saída” é a comunidade de discípulos missionários que “primeireiam”, que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam. Primeireiam – desculpai o neologismo –, tomam a iniciativa! A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4, 10), e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva. Ousemos um pouco mais no tomar a iniciativa!” (EG 24).

Dos pobres em espírito, o planejamento pastoral os levará a assumirem situações e realidades fundamentais pelas quais Jesus foi o primeiro a estar ao seu lado: os aflitos, os mansos, os que tem fome e sede de justiça. E a ação evangelizadora junto a estas realidades terá como resultado a conversão de relações: pacificadores, misericordiosos, puros de coração e perseguidos por causa da justiça do Reino.

Voltando ao assunto das diretrizes e da vivencia da sinodalidade na Igreja, é interessante observar que elas, as diretrizes, fomentam, uma caminhada de “comunhão, participação e missão”, como propõe as palavras chave do Sínodo. Ouvindo a homilia de Dom Leomar Brustolin na missa do dia 17 de abril, durante a assembleia geral, chamou atenção a maneira como ele apresentou as diretrizes: como um processo de planejamento pastoral, fruto de um discernimento amadurecido da realidade eclesial, e que deseja ser uma luz para a Igreja, que vive, não de resultados, mas de processos evangelizadores. Os resultados, segundo ele, pertencem a graça de Deus, e a nós, cabe o trabalho incansável para alargar a tenda, para que mais pessoas sejam acolhidas na dinâmica do reino (não são palavras literais da homilia, mas o que consegui captar).

– Agora, ligando toda esta reflexão com as DGAE, o sínodo e o processo de planejamento em nossa arquidiocese diria que:

1) As DGAE são a implementação do sínodo no Brasil. Além de ter sido um texto amadurecido, e poderíamos dizer, até um texto mártir por tantas revisões e discernimento, elas serão a luz para iluminar todo o trabalho pastoral de planejamento da ação evangelizadora das 280 dioceses e 12 mil paróquias em nosso território nacional. Nelas estão contidas boa parte do que o Sínodo para a Sinodalidade na Igreja pede.

2) As DGAE não são o como, o que, de que jeito, com que ações, mas elas são o porquê da ação evangelizadora no Brasil. Tudo o que vier daqui para a frente nos processos de evangelização deverão levar em consideração que existe um porquê. Este porquê deseja manter a comunhão, participação e missão de todos os fiéis batizados ao projeto de pastoral de Jesus Cristo, e nos ajudam a refletir, a partir do Mestre Jesus, do encontro com Ele, do ouvir o que Ele tem a nos ensinar no hoje da história. Este porquê da ação evangelizadora nos insere no caminho com a cabeça, o coração e as mãos formados na escola do Divino Mestre. Conhecer as DGAE nos darão uma segurança para mantermos nosso trabalho pastoral na metodologia práxica, sem cair em personalismos, achismos, ou sujeitos a tentação de transformar nossas paróquias, pastorais, serviços, movimentos eclesiais em palcos para apresentação de pessoas, de vontades pessoais, de modas e modismos, em ações religiosas e piedosas revestidas com o verniz de uma fé que não sustenta e nem promove o Reino de Deus. Seguir o porquê engendrado pelas DGAE é fazer o sínodo acontecer em nossas realidades macro e micro evangelizadores.

Pe. Mateus Danieli

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07 de maio de 2026

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