No dia um de abril, às 20h aconteceu no salão da Paróquia Santa Terezinha, o encontro mensal dos leigos da área de Passo Fundo. Na ocasião foi convidado o Dr. Prof. Neri Mezadri, da UPF e da Itepa Faculdades, para realizar uma análise de conjuntura.
Ele falou sobre a situação política e econômica e as consequências no agir pessoal. Destacou que, se até os anos setenta o mundo vivia o capitalismo do bem-estar social, que predominou depois da Segunda Guerra Mundial, quando houve uma grande industrialização e as leis trabalhistas garantiam os direitos dos trabalhadores. Depois disso começou a predominar o capitalismo neoliberal a partir dos anos setenta. Mas no Brasil, houve apenas alguns resquícios do capitalismo do bem-estar social no final da década de noventa e início dos anos dois mil. Hoje se vive no país e no mundo, o capitalismo neoliberal e até o capitalismo improdutivo, em que os grandes investimentos são colocados em capitais especulativos, não mais na indústria, pois o investimento na bolsa de valores dá mais lucro do que a indústria.
Dentro desse contexto aparece, no plano individual o “hiperindividualismo”, em que cada pessoa vive a partir dos seus interesses, se junta a grupos nas redes sociais, com pessoas que pensam igual a ela. Mais ainda, se alguém pensa igual a si, tudo bem, mas quem pensa diferente, o indivíduo se coloca contra e em situações limite vai procurar eliminar aquele que pensa diferente. Não se olha a outra pessoa como adversário, mas como inimigo. Em geral não há espaço para o diálogo entre pessoas que pensam diferente.
O capitalismo neoliberal ou capitalismo de mercado traz uma concorrência cada vez maior entre as empresas e algumas vão se fundindo e assumindo o controle das menores e seu pode econômico chega a alcançar níveis maiores do que muitos países.
No plano individual também as pessoas procuram concorrer para ganhar cada vez mais. E o ganho que elas têm não é mais para a subsistência, mas para consumir. E aparece forte o marketing que procura seduzir as pessoas para consumir. Os produtos que o consumidor busca não são somente para satisfazer as suas necessidades, mas para ter as coisas da moda. O prof. Neri citou o exemplo dos calçados, uma pessoa tem cem pares de calçados, mesmo que ela pudesse viver com alguns poucos pares; também citou o exemplo do automóvel, os consumidores precisam de um automóvel para se locomover, mas eles buscam um carro cada vez maior, mais luxuoso, mais potente.
Em seguida trouxe a questão: se a pessoa se dedica tanto ao consumismo, sobra tempo para pensar a vida comunitária? Do ponto de vista social, se a pessoa está tão envolvida com a lógica da concorrência, ela passa a ver o outro não como um irmão, mas como um inimigo.
No campo político o poder político que devia cuidar da população é capturado pelo poder econômico. As grandes empresas investem dinheiro em determinados partidos políticos, não simplesmente para ajudar o país, mas para que depois os políticos eleitos, possam favorecer seus interesses. Usando a expressão porta giratória de Ladislau Dowbor, que procura explicar que grandes investidores circulam entre grandes empresas e instituições políticas que fazem parte dos governos, de modo que as decisões políticas tenham consequências favoráveis para suas empresas.
Enfim ficou claro que o mundo hoje não favorece a vida comunitária e vivência de uma fé autêntica no seguimento a Jesus Cristo, mas é necessário ter esperança. Citou Byung-Chul Han, que elenca os sentimentos de otimismo, pessimismo, angústia e esperança. Destacando que o pessimismo e o otimismo podem deixar as pessoas acomodadas. A angústia pode fazer com que haja a necessidade de uma busca para superá-la. Mas a esperança é mais forte porque traz o sentido de agir em função de algo que se acredita. Se ela não for tomada como um esperar intativa, e sim como algo que pode ser alcançado, há a motivação para ir em busca.
Fotógrafo: Pascom Arquidiocesana
Fonte: Pascom Arquidiocesana