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Trilhar caminhos!

Trilhar caminhos!

Pare! Olhe! Escute! Três palavras verbo encontradas, muitas vezes, junto as ferrovias, em placas de sinalização. Quando dispostas de forma

Pare! Olhe! Escute! Três palavras verbo encontradas, muitas vezes, junto as ferrovias, em placas de sinalização. Quando dispostas de forma individual cada uma das três palavras é portadora de significados múltiplos, porém, quando articuladas expressam ímpar mensagem às pessoas e às suas escolhas, opções de seguir caminho. Para? Olhar? Escutar? À história humana, em construção, que caminhos trilha-se?

Pensando a imagem do Trem é-nos possível percorrer trilhos da história vocacional humana e as mais diversas escolhas realizadas pelas pessoas a partir de suas experiências de vida, seja individual, comunitária ou societária. Construir-se humano e feliz, na vida, compreende discernimento (parar), metas (olhar) e opções (escutar) estratégicas de ação.

Registra-se para história que Richard Trevithick, engenheiro britânico, em 13 de fevereiro de 1804, realizara na Inglaterra a apresentação do chamado “cavalo mecânico”; uma máquina a vapor, disposta sobre trilhos, com finalidade para transporte hábil e eficiente de matérias-primas. A cidade inglesa de South Wales acolhera o histórico evento, no qual, 70 homens e 18 toneladas de ferro percorreram14 quilômetros sobre o novo invento. George Stephenson, em 1814, ampliaria as inovações dando início à era das ferrovias.

Conhecidas, também, como vias férreas, caminho de ferro ou estrada de ferro, as ferrovias compõem um sistema de transporte terrestre, a base de trens, com significativa capacidade de carga e passageiros, sobreposta sobre trilhos paralelos, previamente dispostos. No Brasil inicia-se a história ferroviária, em 30 de abril de 1854, quando D. Pedro II, inaugura o trecho da linha Porto Mauá à Fragoso, no Rio de Janeiro, com extensão de 14 km, chamada “Estrada de Ferro Petrópolis”. Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá, nascido no Rio Grande do Sul, em 1813, fora o responsável para edificar a via férrea. Há que se refletir, profunda e oportunamente, quão significativa, à nação brasileira, desvelou-se a história das ferrovias e seus inúmeros impactos ao desenvolvimento e, também, à exploração nacional. Hoje segue, que trilhos, o Brasil?

Parar, olhar e escutar, frente as escolhas do viver, abre-nos às portas do projeto de vida. O poeta Manoel de Barros diz: “O olho vê, a lembrança revê e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo”. Trilhar caminhos à vida, à vocação humana, à vocação cristã, implica “transver o mundo”, parar um instante, isto é, o tempo oportuno e necessário para olhar a realidade social, política, econômica, cultural, eclesial, a partir de outro lugar, sob outra ótica e escutar os sinais, os silvos a ecoar, para então ter coragem e serenidade para decidir e agir. Zygmunt Bauman escreve: “somos todos artistas de nossas vidas – consciente ou não, de boa vontade ou não, gostemos ou não. Ser artistas significa dar forma e condição àquilo que de outro modo seria sem forma ou aparência” (A arte da vida, 2009, p.163). Como constróis, neste contexto contemporâneo, teu projeto de vida?

À vocação cristã faz-se importante escutar o chamado à missão. Cada pessoa, cada criança, adolescente, jovem, adulto ou ancião é importante na alteridade humana, socioambiental e transcendental. A alegria de viver está ligada intrinsecamente às respostas que oferecemos, frente ao projeto de vida, construído e reconstruído, ao trilhar nossa história. A sagrada escritura recorda-nos a vocação do adolescente/jovem que ao escutar seu nome “Samuel, Samuel” recorria à Eli, buscando discernimento (1Sm 3,1-21). A construção vocacional do jovem Samuel fora trilhada processualmente. Quando para, prestando atenção, escuta novamente o convite, e então responde: “Fala que teu servo escuta” (1Sm 3,10).

Vocação, do termo latino vocare, significa chamar, escolher. Trilhar caminhos à alegria do viver na existência humana, planetária e transcendental é convite à construção consciente e criativa de projetos de vida, com observação da realidade, tempo significativo de discernimento, elaboração e escuta às aspirações que dão pleno sentido à vida. Na história da humanidade, Deus interage, sem, contudo, subtrair nossa liberdade e responsabilidade; antes, sim, inspira e provoca-nos à plena realização. O trem da vida, a todo instante, com seus silvos alerta-nos: “Pare, olhe, escute” e, sem medo, segue, pois, há um horizonte de sentido à construir, articulado e organizado, em mutirão, rumo à Civilização do Amor!

 

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