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Três ensinamentos pastorais do Tríduo Pascal

Três ensinamentos pastorais do Tríduo Pascal

De todos estes momentos fundamentais da vida cristã o que podemos aprender de Jesus no tríduo pascal do ponto de

A semana santa é celebrada desde o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor e vai até o início do tríduo pascal, quando a Igreja celebra de uma maneira única os momentos centrais da fé em um continuo, isto é, como se fosse uma só celebração: a instituição do sacerdócio e a unidade sacramental (representada nos Santos Óleos), o Lava-pés e a Ceia do Senhor, a condenação e morte de Jesus, o sepultamento e o ápice com a Ressurreição. Tudo isso acontece na primeira lua cheia do outono, lembrando data da páscoa dos judeus na qual Jesus celebrou a sua páscoa.

De todos estes momentos fundamentais da vida cristã o que podemos aprender de Jesus no tríduo pascal do ponto de vista pastoral?

Observando o ambiente da ceia pascal, observa-se um ambiente muito adverso: é um momento alto da fé dos discípulos, pois era páscoa, mas também marcado por um “murmúrio”. Durante o jantar Jesus faz a revelação de que um dos seus o iria trair e cria mais animosidade ainda entre os comensais. Parece tantas reuniões de pastoral das comunidades pelo mundo a fora. Tem gente desconfiada, o assunto que antecede a reunião pastoral nem foi apresentado ainda e já tem gente fazendo fofoca, os grupos pastorais que não se entendem ficam se enfrentando. As vezes o clima de certas reuniões pastorais é muito parecido com o que acontece com Jesus no Cenáculo.

Mas é interessante como Jesus administra tudo isso, sendo ele um bom pastoralista que era. Ele deixa as coisas acontecer com naturalidade: apresenta a pauta da reunião, expõe os problemas que estão acontecendo, enfrenta as mentiras e as traições com cautela e serenidade. Depois, retoma a centralidade da missão dos agentes de pastoral dando o maior exemplo de todos que é lavar os pés dos discípulos. Por fim, ilumina a vida pastoral com a oração, o pedido da unidade, para que todos permaneçam no amor, que tenham o Espírito Santo e não se percam novamente (Jo 14-17)

O segundo ensinamento pastoral que observo no tríduo pascal deixado por Jesus é não se deixar contaminar pelo mal. Não raro vemos pessoas boas que tomam decisões pastorais pelo afã do momento, fazem o que não querem, abandonam sua função por qualquer afronta, se elas não estão no poder de decisão também não ajudam, e se forem questionadas já saem com palavras agressivas e condenações desnecessárias.

Jesus mantém a fidelidade ao seu projeto de vida pastoral e ao que foi programado e planejado. Mesmo no caminho do calvário consola a sua mãe, acolhe a ajuda de um estranho que não veio para tirar o seu lugar na cena, mas para ajudar, é agradecido a Verônica pelo gesto de carinho, consola as mulheres que não “tinham perdido o dom das lágrimas”, acolhe um novo integrante para a sua pastoral no alto da cruz, que é Dimas, o bom ladrão. Esta fidelidade, esta bondade, este modo de conduzir o processo pastoral espalhando a “alegria do Evangelho” (EG) e “vivificando todas as coisas com sua presença” (ChV).

E, por fim, Jesus manteve em seu horizonte uma esperança que só Ele mesmo poderia ter. É o que se observa na noite da vigília pascal. Em nenhum momento até ali a esperança havia saído do horizonte. Todo aquele processo ainda não tinha acabado, nem os resultados colhidos. Quando lemos na obra Teologia do Povo de Juan Carlos Scanonne e que foi assumido pelo Papa Francisco este princípio pastoral na encíclica Evangelli Gaudium de que “os processos são maiores que os resultados”, o túmulo vazio, o anuncio da ressurreição, os primeiros testemunhos, enfim, dão a volta por cima a todo o horror produzido pela condenação e morte de Jesus. Enquanto alguns comemoravam o fim do agitador Jesus de Nazaré, os discípulos e discipulas corriam para a Galileia para o encontrar Ressuscitado. E o fruto pastoral desta esperança dos processos é que nós continuamos ainda hoje fazendo da ação evangelizadora da Igreja a continuidade daquele processo iniciado por Jesus. Os resultados dos processos não são para nós nem para a vaidade pessoal e engrandecimento de alguns, como se vê em determinadas pastorais e movimento, nos quais as pessoas se tornam orgulhosas porque elas fizeram ou elas construíram ou elas compraram ou elas criaram. Em Jesus Ressuscitado, toda a ação evangelizadora é sempre ponto de chegada e ponto de partida. Jesus começou sua vida pública na Galileia e pediu para que os discípulos o encontrassem lá, isto é, da onde tudo começou, agora é de onde vocês são começar a missão de vocês e partir pelo mundo pregando o Reino de Deus e sua justiça.

Sei que muitas outras observações são possíveis na semana santa e que as narrativas pascais trazem uma riqueza para a vida pastoral da Igreja, sem contar em toda a ritualidade, os sinais sacramentais, a liturgia da Palavra e seu elenco profundo para narrar a história da salvação. Mas estes três ensinamentos pastorais foram identificados em uma primeira análise bem pessoal: Jesus ensina a enfrentar os conflitos com serenidade e discernimento; a bondade que segue até o fim como fidelidade ao projeto e a força dos processos evangelizadores. Agora, é só tentar viver o que Ele ensinou.

 

Pe. Mateus Danieli – Coordenador de Pastoral

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