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Solenidade de Pentecostes: acolhamos o dom do alto

Solenidade de Pentecostes: acolhamos o dom do alto

Celebramos neste domingo a Solenidade de Pentecostes, celebrada liturgicamente como o momento da vinda do Espírito Santo sobre a comunidade

Celebramos neste domingo a Solenidade de Pentecostes, celebrada liturgicamente como o momento da vinda do Espírito Santo sobre a comunidade dos discípulos, segundo a promessa de Jesus Cristo, e traduzida de modo diverso na Sagrada Escritura. Vamos abordar o evento sob três aspectos: histórico, eclesial e pessoal.  

Na perspectiva histórica vê-se que a manifestação do Espírito Santo está solidamente relatada na Sagrada Escritura, assim como as consequências da sua acolhida para comunidade dos discípulos de Jesus. Lucas e João apresentam a manifestação em momentos diferentes. A diferença de momentos da manifestação abordada nos escritos de João e Lucas não ofusca o objetivo de ambos de explicitar que o Espírito, que esteve com Jesus na missão em cumprimento da vontade do Pai, prolonga a sua presença na caminhada dos discípulos.  Sob a força do Espírito Santo eles levariam à frente o compromisso de dar continuidade a sua obra de Jesus.  

O Evangelista João apresenta a manifestação do Espírito agindo sobre a comunidade dos discípulos no dia da Páscoa. Jesus que se apresentou à comunidade três dias após a sua crucificação. Manifestou-se ressuscitado, desejando-lhes a paz, soprando-lhes o hálito divino e enviando o grupo em missão (Jo 20,19-23).

Lucas, autor do livro dos Atos dos Apóstolos, relata a manifestação do Espírito Santo cinquenta dias após a Páscoa e por isso, a expressão Pentecostes (At 2,1-13). Segundo o texto de Lucas, a comunidade estava reunida no mesmo lugar de costume. Demanda a ideia de certa estruturação desta comunidade em vista da missão (At 1,12-14).   Por ocasião do encontro, o dom de Deus se manifestou com um vento muito forte e línguas de fogo pousando sobre cada um dos discípulos (At 2,3), os impulsionando à ação evangelizadora. Aqueles homens foram ao encontro das pessoas que falavam diferentes línguas sob a ação do Espírito Santo e, sob esta ação, comunicaram a boa nova do Evangelho de forma e na linguagem que estas pessoas pudessem compreender. O Espírito Santo é uma força histórica, o dom divino que muda as relações entre as pessoas (Rinaldo Fabris, 1984). Os discípulos acolheram esta orientação.  

A comunicação da linguagem do amor é um grande fator e mudança. A manifestação acontece em um determinado momento da história e obedecendo a promessa feita por Jesus aos seus discípulos. Jesus havia prometido o envio do defensor, também denominado advogado ou paráclito (Jo 14,26; 15,16; 16,7), a força do alto (Lc 24,49) para ajudar os discípulos a continuarem a sua obra. Cumpriu a sua promessa e esta se efetivou no dia de pentecostes.

A perspectiva eclesial se manifesta porque o Espírito Santo age impulsionando a Igreja nascente, naquele tempo representada pelos primeiros discípulos, a sair para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo (Jo 20,21; At 2,4). O Espírito Santo se manifesta e faz sair para anunciar o Evangelho. Fazer o contrário é agir contra o Espírito e sua vontade. O Espírito pede ousadia, rompimento de fronteiras. Como afirmava o Papa Francisco na Exortação Evangelli Gaudium a Igreja precisa assumir com ousadia a saída missionária. Diz ele: Saímos, saímos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar as próprias seguranças (cf. EG 49). O Espírito Santo manifestou-se provocando a saída para comunicar o Evangelho. Segundo José Comblim, o Espírito Santo se manifesta para lançar a Igreja ao mundo. Seu objetivo é missionário. Seu sentido é abertura à missão e não fechamento em pequenos guetos que se autoreferenciam.

A perspectiva pessoal diz respeito ao compromisso de cada cristão e implica em compreender que cada pessoa vive a sua fé ligada a uma comunidade. Na primeira carta a Comunidade de Corinto o Apóstolo Paulo lembra que o Espírito Santo suscita os dons diferentes e de diferentes modos nas pessoas. Logo, ninguém possui plenamente o Espírito, e ninguém está privado dele. Ele se manifesta nos seus dons de forma diversa. É a primeira premissa. A segunda premissa é que estes dons se fazem plenos quando colocados a serviço da comunidade. 

 Enquanto homens e mulheres de fé e de vida comunitária somos motivados, em seguimento aqueles primeiros cristãos, a deixarmo-nos guiar pelo Espírito Santo. Também devemos compreender que Ele nos leva ao compromisso comunitário partilhando os dons recebidos. Compreendamos, sobretudo que a ação é sob a orientação do Espírito e não humana, por isso cuidado com o que atribuímos à inspiração do Espírito Santo. Pode não ser. E própria história poderá demonstrar isso.

 

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