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Sal da terra e luz do mundo

Sal da terra e luz do mundo

“Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não caminha na escuridão, mas terá a luz da vida” (Jo

Jesus, logo após ensinar o caminho da vida feliz ou bem-aventurada, afirma que ser cristão é ser sal da terra e luz do mundo (Isaías 58,7-10, Salmo 111, 1 Coríntios 2,1-5 e Mateus 5,13-16). Duas imagens que ressaltam o testemunho da vida de serviço ao mundo. É neste serviço que se concretiza a identidade do cristão: luz e sal da terra, como o próprio Cristo o foi.

A primeira imagem usada por Jesus para definir a identidade do discípulo é o sal. O sal é familiar em todas as culturas. Sempre foi usado para dar sabor à comida e conservar os alimentos. Na cultura bíblica o sal também significava sabedoria. Nas línguas latinas os vocábulos sabor, saber, sabedoria pertencem à mesma raiz semântica.

O sal sendo um protagonista peculiar na culinária, se torna um símbolo muito interessante e rico para expressar a missão do seguidor de Jesus no meio da sociedade. O sal na comida fica invisível, mas sua ausência não pode ser dissimulada. O sal dissolve-se completamente nos alimentos e lhes dá sabor. Essa é sua condição: passar despercebido, mas atuar eficazmente.

É uma bela maneira de descrever a tarefa do cristão: ser sal da terra, sal humilde, derretido, saboroso, que atua desde dentro, que não se nota, mas é indispensável. Jesus adverte: “ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos?” Quimicamente é impossível o sal perder o sabor. O sal não pode não salgar. O risco está no discípulo de Cristo que pode perder a capacidade de dar sabor de amor, esperança, fraternidade e paz ao mundo.

A segunda imagem usada para descrever a identidade do cristão é “ser luz do mundo”. O simbolismo da luz percorre toda a Escritura. No primeiro dia da criação Deus disse: “Haja luz, e houve luz” (Gn 1,3); no caminho do êxodo uma coluna de fogo guiou o povo de Deus pelo deserto; o messias anunciado pelos profetas será uma luz. Cristo se apresenta a si mesmo como: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não caminha na escuridão, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).

Quem crê em Jesus se converte em luz para si e para os outros. Assim como o sal não pode não salgar, do mesmo modo a luz não pode não iluminar. Na celebração do batismo o Círio Pascal, símbolo do Cristo ressuscitado, é apresentado ao neobatizado e lhe é dito: “Recebe a luz de Cristo”. A seguir se acende nele a vela, seguida da exortação: “Querida criança, foste iluminada por Cristo para te tornares luz do mundo. Com a ajuda de teus pais e padrinhos caminha como filho(a) da luz”.

Como cristãos podemos nos tornar insossos e colocar a luz debaixo de uma vasilha, como alertou Jesus. O profeta Isaías e a Carta de Paulo ao Coríntios apontam duas tentações que desvirtuam a identidade do cristão. A primeira é reduzir a vida cristã a práticas religiosas. Por isso, o profeta Isaías ressalta a importância e o efeito da caridade. “Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à tua frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá”. O Catecismo da Igreja Católica ensina que identidade do católico se manifesta: na profissão da fé; na celebração dos mistérios da fé, principalmente os sacramentos; na vivência dos mandamentos e na retidão moral; e na vida de oração.

A segunda tentação é querer ser cristão segundo a mentalidade humana, isto é, querer ser sal e luz de forma ostensiva, agressiva, com marketing, com eficácia e produtividade. São Paulo, depois de alguns fracassos pessoais, aprendeu a lição. Quando vai evangelizar em Corinto age de conforme o ensinamento de Jesus: “Quando fui à vossa cidade anunciar-vos o mistério de Deus, não recorri a uma linguagem elevada ou ao prestígio da sabedoria humana. Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado. Aliás, eu estive junto de vós, com fraqueza e receio, e muito tremor. Também minha palavra não tinha nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus, e não na sabedoria dos homens”.

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo

 

 

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