>
>
Rosto de Emanuel!

Rosto de Emanuel!

  Gestar vida compreende uma opção ímpar à humanização! O nascer compõe processos de discernimento, incertezas, planejamento, organização, articulações e

 

Gestar vida compreende uma opção ímpar à humanização! O nascer compõe processos de discernimento, incertezas, planejamento, organização, articulações e sonhos. A ciência médica corrobora, a saber, por formas múltiplas hodiernamente. No caminho gestacional faz-se ultrassom obstétrico para acompanhar o desenvolvimento da criança e a saúde da mulher; posteriormente, há outros exames específicos para cada período da gravidez, como o ultrassom morfológico e o pré-natal. E, pois, quais serão as características da criança ao nascer? Como será seu rosto, cor dos olhos, etc.?

Cada nascimento constrói-se repleto de mistério, espera, transformações e silêncios. Na caminhada cristã, vive-se a experiência histórica e transcendente do nascer do Deus Menino, Jesus. A obstetrícia divina realizou-se, a priori, no coração da humanidade pelo discernimento da jovem Maria, em Nazaré, quando acolhe em seu viver o projeto amoroso de Deus na companhia de José (Mt 1,1-25; Lc 2,1-7). O itinerário cristão peregrina, então, pela construção de alteridade social, político econômica, ambiental, cultural e religiosa marcado por significativos sinais e símbolos que, à luz da fé, no silêncio cotidiano da vida “ajuda a tornar-se íntimo de Deus” cada sujeito de boa vontade.

Praças, lares, igrejas e outros espaços de convívio social são adornados à espera do esperançar; ou, talvez, do lucro? Na morfologia societária ultrassons revelam múltiplos olhares, tons, cores, idiomas a aclarar o rosto humano do “Emanuel, que traduzido significa ‘Deus conosco’” (Mt 1,23). Papa Francisco recorda-nos que “a árvore e o presépio são dois símbolos que continuam a fascinar jovens e adultos. A árvore, com suas luzes, recorda-nos Jesus que vem iluminar as trevas e a nossa existência de pecadores e sofredores neste mundo. Como as árvores, também os homens precisam de raízes, pois só quem está enraizado em boa terra permanece firme, cresce, amadurece e resiste às intempéries. É importante valorizar as raízes da vida e da nossa fé”.

Francisco de Assis, em 1223, fora o idealizador do primeiro presépio, em Greccio, na Itália, desejoso de reviver àquela experiência compartida por José e Maria, com Jesus, na singeleza de sua pobreza genuína, enriquecida pela utopia concreta do Reino de Deus, mesclada à manjedoura, aos animais, aos presentes ofertados pelos magos orientais que, ao ver a estrela, ficaram repletos de extraordinária alegria, entraram, abriram seus cofres e, ajoelhados, ofertaram ouro, incenso e mirra (Mt 2,1-12).

À historicidade da comunidade de seguidores(as) do Caminho, o pré-natal do cristianismo realizara-se naquele “hospital de campanha”, em Belém, aonde Deus trouxe à vida a revelação de seu “útero/ventre” amoroso capaz de compartilhar conosco sua humanidade, em uma criança frágil, indefesa. Hoje, o presépio – familiar e simples – exorta-nos rezar e refletir contrastes sociais, políticos, econômicos e culturais que, gradativamente, absorvem e desfiguram o encantamento da vida, verdadeira riqueza do Natal. Neste mistério fala-nos o transcendente, basta escutar!

À sensibilidade morfológica musical sugere-se que “o rosto de Deus é jovem também e o sonho mais lindo é ele quem tem. Deus não envelhece, tampouco morreu. Continua vivo no povo que é seu. Se a juventude viesse a faltar o rosto de Deus iria mudar” (Jorge Trevisol, O mesmo rosto). Ora, “para celebrar o Natal, devemos redescobrir a surpresa e o espanto da pequenez de Deus no Presépio e na pobreza de um estábulo e tornar-nos pequeninos”, diz Papa Francisco.

Eis, portanto, o advento, um tempo oportuno de preparação para o nascimento de Jesus, também em nós, que propicia-nos caminhar em processual desenvolvimento humano e divino, pois, conduz-nos à compreensão de um projeto de vida, batizado “Civilização do Amor” que realizar-se-á na alteridade comunitária do lar, da família, da sociedade. Para tanto ter-se-á que, com políticas públicas, articular condições dignas ao bem viver social, às crianças, aos jovens, aos adultos e anciãos, uma vez que, desde outrora, há insurgência de novos Herodes a “procura de informações exatas sobre o menino” (Mt 2,8) para deslustrar-lhe o direito à luz vida e ao bem comum!

 

Padre Leandro de Mello – @padreleojuventude. Passo Fundo, 06 12 2022.

 

Compartilhe

Formações relacionadas

13 de março de 2026

12 de março de 2026

10 de março de 2026

06 de março de 2026

Continue navegando

Liturgia

Acompanhe a liturgia diária e reflexões da arquidiocese.

Santo do Dia

Acompanhe o santo do dia e sua história na arquidiocese.

Palavra do Pastor

Acompanhe as mensagens e orientações do nosso arcebispo.

Calendário de eventos

Acompanhe o calendário de eventos da arquidiocese.

Receba as novidades da nossa Diocese

Inscreva-se em nossa newsletter e fique por dentro dos avisos, eventos e mensagens especiais da Diocese.