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Prazer, dom de Deus!

Prazer, dom de Deus!

O cuidado integral da vida e do bem viver, faz pensar a dignidade intocável do ser humano, suas relações de

O cuidado integral da vida e do bem viver, faz pensar a dignidade intocável do ser humano, suas relações de alteridade, a totalidade natural e o transcendente. A Doutrina Social da Igreja trata a pessoa humana como única e infinitamente valiosa, pois, compreende o humano enquanto ser criado à imagem e semelhança de Deus. O humano é “sobre a terra a única criatura que Deus quis por si mesma” (GS, 24). Não é algo, mas alguém e tem, por compreensão, valor incomparável. À Doutrina Social Católica a pessoa (imago Dei) está na centralidade, sendo o autêntico suporte da sociedade e sua prioridade plena.

“O ser humano é por natureza um ser social” (GS, 12) que somente consegue viver e sobreviver via relação corresponsável, em mútua ajuda. Tais experiências de cuidado integral têm gênese no círculo familiar e se expandem, por conseguinte, nas relações de amizade, comunitárias e sociais. A família, neste ínterim, é entendida como célula originária de toda sociedade. À saudável vivência e autêntico zelo inter-relacional de pessoas e demais seres é inseparável à fraternidade, à justiça, à solidariedade e fidelidade. “O descuido no compromisso de cultivar e manter um correto relacionamento com o próximo, relativamente a que sou devedor da minha solicitude e custódia, destrói o relacionamento interior comigo mesmo, com os outros, com Deus e com a terra. Quando todas estas relações são negligenciadas, quando a justiça deixa de habitar na Terra, a Bíblia diz-nos que toda vida está em perigo” (LS, 70).

Neste 2020, a Campanha da Fraternidade, objetiva “conscientizar, à luz da Palavra de Deus, para o sentido da vida como Dom e Compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, nossa Casa Comum”. Especificamente propõe “despertar os jovens para o dom e a beleza da vida, motivando-lhes o engajamento em ações de cuidado mútuo, especialmente de outros jovens em situação de sofrimento e desesperança”. Ver, sentir compaixão e cuidar (Lc 10, 33-34) são verbos provenientes da inspiração bíblica à ação sócio eclesial transformadora.

Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, doceira profissional goiana, poetisa e contista brasileira, disse: “Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas, sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: o colo que acolhe, o braço que envolve, a palavra que conforta, o silêncio que respeita, a alegria que contagia, a lágrima que corre, o olhar que acaricia, o desejo que sacia, o amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida” (Cora Coralina).

À vida cristã o sentido da vida transcende, pois, o amor revelado em Jesus Cristo, torna-nos seres sagrados, templos do Espírito Santo (1Cor 6, 19). Essa vida, sinal e expressão de Deus, clama existir dignamente. João XXIII, em 1963, na encíclica Pacem in Terris, evocou: “o ser humano tem direito à existência, à integridade física, aos recursos correspondentes a um digno padrão de vida: tais são especialmente o alimento, o vestuário, a habitação, o repouso, a assistência à saúde, os serviços sociais indispensáveis” (PT, 11). Vida em primeiro lugar, compreende? Amar implica, “não matar!”

“O corpo é um templo sagrado. A mente, o altar. Então, devemos cuidá-los com o maior zelo. Corpo e mente são reflexo da nossa alma, a forma como nos apresentamos ao mundo é um cartão de visitas para o nosso encontro com Deus […] O que fazer para mudar o mundo? Amar!” (Santa Dulce dos Pobres). A comensalidade é sinal de amor às pessoas, à natureza, à Deus. “Desejei ardentemente comer com vocês esta Ceia de Páscoa” (Lc 22,15), externou Jesus, estando à mesa, em alteridade. Mais! “Isto é o meu corpo, que é entregue por vocês” (Lc 22, 20). A experiência humana de compartir é prazer sagrado à dignidade plena.

Entende-se por extensão, portanto, a expressão do Sumo Pontífice, quando diz: “o prazer vem diretamente de Deus, não é católico, nem cristão, nem nada parecido, é simplesmente divino” (Petrini, Carlo. Terra Futura: conversas com o Papa Francisco sobre ecologia integral). Tudo em nós, amadas(os) jovens, é dom de Deus. À intocável dignidade humana tudo é precioso e expressão transcendente do amor. Compartilhar, em graça, a vida transfigura-nos à glorificação de Deus presente em nós, corpo humano divino (1 Cor 6, 20). Quanto maior o amor humano, maior é a proximidade e expressão de Deus nele. Cada pessoa, em dignidade, é casa lar de Deus.

Cuidar, sentir e respeitar o ser humano integralmente é, em sentido pleno, zelar o próprio Deus. É sagrado; memória permanente e desejo à partilha, à entrega, à mesa, à cruz, à paixão, à vida, ao pleno gozo (Lc 22,14-20). “Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo!” (Sl 83,3). Parafraseando o Papa Francisco, exorto e concluo: viver é dom e compromisso, cuidado integral à pessoa, prazeres caros à dignidade e “prazer vem de Deus!”

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