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O testemunho do discípulo faz a diferença

O testemunho do discípulo faz a diferença

A palavra é a expressão e identidade da pessoa. Por isso, não há necessidade de juramentos. Ela vale por si

Nos últimos domingos do Tempo Comum temos acolhido como iluminação bíblica trechos do Evangelho de Mateus que ajudam a compreender o roteiro missionário de Jesus desde o seu batismo. Após o início da sua missão na Galileia, quando se apresentou convidando as pessoas à conversão e chamou um grupo de seguidores para estar com ele na jornada missionária. Também percorreu a região percebendo a realidade difícil do povo.   Em seguida subiu ao monte e proclamou o “Sermão da Montanha” (Mt 5-7), a orientação de Jesus para seus discípulos na perspectiva de assumirem na prática cotidiana os princípios do Reino dos Céus e o testemunharem para os demais. Então foram motivados a serem bem-aventurados, conformando sua vida à vontade de Deus (Mt 5,1-12); e, enquanto discípulos, deveriam agir como sal da terra e luz do mundo, atuando na sociedade segundo os princípios do Reino (Mt 5,13-16).

Neste 6º Domingo do Tempo Comum vamos continuar acolhendo a reflexão de Mateus e a continuidade do Sermão da Montanha tendo presente que Jesus fala aos discípulos e à multidão que está o seu redor.  O texto proposto tem uma versão mais longa (M5,17-77), e a versão mais curta (Mt 5, 20-22a.27-28.33-34a.37).

O fio condutor da orientação de Jesus é o seu posicionamento diante da lei de Moisés. Ele expressa que não veio abolir a Lei e os Profetas (Mt 5,17). Com esta afirmação desconstrói as possíveis argumentações dos seus adversários, especialmente os fariseus e mestres da Lei, de que estaria contra a Lei Antiga. Ele avança na afirmação: quer dar pleno cumprimento a fim de que não seja desobedecida (cf. Mt 5, 17-18), porque o ato de desobediência, o não cumprimento ou ensinamento equivocado é contrário ao Reino dos Céus. Diz mais, a prática e o ensino permitem que a pessoa seja considerada grande no Reino dos Céus (Mt 5,19). A sua atitude era não de rompimento com a lei, mas de acolhida e cumprimento, todavia segundo os princípios do Reino anunciado e não segundo os princípios humanos.

A partir daí Jesus sugere ao discipulado outros parâmetros para o cumprimento da lei que vão questionar profundamente o legalismo farisaico, fundado em interpretações humanas. É uma nova forma de relação com a lei, um testemunho consistente para mundo.  Estas sugestões de Jesus tomam o restante do texto proposto para este domingo. É possível dividir em três dimensões: prática da justiça, as novas relações, força da palavra.

O legalismo farisaico assumia uma compreensão de justiça fundada no cumprimento estrito da lei. Jesus propõe para os seus seguidores outra compreensão: a justiça por eles assumida deveria ser maior do que a dos fariseus e mestres da lei. Implicava em ir além do mero legalismo, mas fundar-se nos princípios dos Reino dos Céus. Caberia interpretar a preocupação com a justiça de uma forma generosa e profunda, articulada com a misericórdia divina extensiva à prática humana. Justiça sem misericórdia pode ser falha e não reconstruir as relações humanas rompidas pela injustiça.

Sobre as relações, Jesus também aborda a necessidade de ampliar o princípio da lei da preservação da vida, a lei do “não matar”. Sugere atitudes que superam a mera necessidade de evitar a morte física.  Urge superar a cólera e a raiva que decretam a morte no relacionamento fraterno (frater = irmãos). O caminho é buscar a reconciliação e a reconstrução dos laços de fraternidade. As relações saudáveis também se estendem para o campo familiar (Mt 5,27-32), segundo o princípio de que a valorização dos laços familiares e o respeito entre os cônjuges são um projeto de raiz e não mera convenção social e, sendo de raiz, envolvem todo o ser da pessoa que assumiu a aliança matrimonial.

Jesus aborda, por fim, a força da palavra dada. Não é necessário um juramento externo senão a convicção da afirmação pessoal. A palavra é a expressão e identidade da pessoa. Por isso, não há necessidade de juramentos. Ela vale por si só.

Assim Jesus vai construindo com o discipulado os caminhos que possibilitam um testemunho válido e significativo para a sociedade do seu tempo.

Possamos acolher estas orientações do Mestre da Justiça para os nossos dias assumindo como espiritualidade, o que torna possível testemunhar para o mundo. Pode fazer a diferença.

 

Pe. Ari Antonio dos Reis

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