>
>
Juventude Rural!

Juventude Rural!

  Sonhar perspectivas e edificar projetos compõem o existir humano. A juventude traz consigo, à vida, o sonhar. Almeja-se alcançar

 

Sonhar perspectivas e edificar projetos compõem o existir humano. A juventude traz consigo, à vida, o sonhar. Almeja-se alcançar metas, objetivos pessoais, comunitários e sociais, muitas vezes, consolidados ao longo de processos históricos truncados e que demandam decisões e ações ousadas. Estima-se que, hoje, no Brasil há 49,95 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. Destes, 85,2%, sonha conquistar educação de qualidade. Que sonhos, outros, conduzem a juventude?

O Estatuto da Juventude, através da Lei 12.852/13, consolida às jovens e aos jovens brasileiros, direito: à cidadania, à participação social, política e à representação juvenil; à educação; à profissionalização, ao trabalho e à renda; à igualdade; à saúde; à cultura; ao desporto, ao lazer e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. No Rio Grande do Sul, a saber, instituiu-se pela Lei 11.361/1999 o Dia Estadual da Juventude Rural a ser celebrado, em 15 de julho, anualmente. A Lei Estadual da Juventude Rural identifica como jovem rural quem é filho(a) de “agricultor, proprietário, meeiro, arrendatário, ocupante assalariado ou assentado rural, com até 35 anos de idade”.

Pesquisas demonstram que no Rio Grande do Sul a densidade demográfica média², em 2020, é de 42,5 hab/km². O estado gaúcho apresenta a menor densidade da região sul-brasileira, apesar de superar a média nacional de 24,9 hab/km². Sabe-se, ademais, que 66,2% dos municípios gaúchos têm população inferior a 10 mil habitantes e que os 19 municípios com população superior a 100 mil habitantes acolhem 48,3% da população gaúcha.

Raquel Breitenbach, doutora em Extensão Rural (UFSM), e Graziela Corazza, Engenheira Agrônoma (IFRS), publicaram na Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional (G&DR. V. 16, N. 3, P. 413-428, set-dez/2020. Taubaté, SP, Brasil) uma pesquisa sob título: “JOVENS RURAIS DO RIO GRANDE DO SUL/BRASIL: QUESTÕES DE GÊNERO NA SUCESSÃO GERACIONAL” na qual refletem, de forma científica, a realidade juvenil rural a partir do levantamento de dados quantitativos, via questionário aplicado no segundo semestre de 2018, a 743 jovens (homens e mulheres) rurais que cursavam o Ensino Médio nas 28 regiões do RS.

Constatou-se intensa masculinização do meio rural gaúcho; “êxodo seletivo das mulheres na faixa etária de 15 a 24 anos; redução da taxa de natalidade e o aumento populacional de idosos;” há predominância de jovens masculinos com idades entre 15 e 29 anos, uma vez que, no RS “87,9% dos proprietários de estabelecimentos agropecuários são homens e apenas 12,1% são mulheres”. Tais análises corroboram, à reflexão, quanto ao comprometimento do processo sucessório das propriedades e para interferência da dinâmica sócio produtiva rural, especialmente, às pequenas propriedades.  

A 6ª Semana Social Brasileira (SSB) exorta-nos refletir o tema “Mutirão pela vida: por Terra, Teto e Trabalho”. Dentre os cinco cadernos de formação, o quarto material, propõe dialogar acerta do território, dos direitos sociais e da cidadania, abarcando comunidades tradicionais, direito à cidade, desigualdades, energia, questões agrárias, questões das mulheres e o trabalho, migração, direito à água, etc. Sugestiva leitura!

A Arquidiocese de Passo Fundo, constituída em 1951, celebra 70 anos, neste 2021. É mister recordar a década 1980, quando jovens ligados a Pastoral da Juventude Rural (PJR), articulavam-se promovendo reuniões, celebrações, encontros formativos, com destaque para a Escola Alternativa para a Juventude Rural (ESCAJUR). Em quase todas as comunidades rurais havia grupos de jovens, aproximando-se a 500 grupos organizados. Uma consequência do envolvimento juvenil neste processo fora seu engajamento sócio eclesial, político econômico e cultural.

O contexto político social e agrário vigente naquele período (1970-1985) da realidade do Rio Grande do Sul, marcado pelo surgimento da agroindústria, criação de faculdades, busca por novos espaços e territórios de produção, construção de barragens hidroelétricas, contribuíram para um redirecionamento migratório de muitas famílias com pequenas propriedades rurais, sobretudo, descendentes de imigrantes europeus. “Os jovens, principalmente, começaram a abandonar a agricultura, antes de constituir família, buscando trabalho e estudo nas cidades próximas” (BENINCÁ, 2016), nos centros urbanos maiores, e na capital gaúcha, Porto Alegre. Segundo Elli Benincá, doutor em Educação, esta realidade é reconhecida como o “fenômeno da urbanização provocado pelo êxodo rural”.

O contexto agrário rio-grandense, das últimas décadas, forjado com profundas marcas à região norte, ganha a posteriori proporções nacionais. Na realidade contemporânea, diversas lideranças pastorais, inclusive jovens, trazem em sua história marcas rurais de luta, organização, articulação e protagonismo que, ao longo do caminho percorrido, contou com a presença da Igreja Católica, em Passo Fundo. Nesta semana da juventude rural, revisitar a história, celebrando memórias, encoraja à dar continuidade em ações, à luz do Evangelho, capazes de gestar processos para o bem comum e a “vida em abundância” (Jo 10,10).

 

Compartilhe

Formações relacionadas

12 de março de 2026

10 de março de 2026

06 de março de 2026

05 de março de 2026

Continue navegando

Liturgia

Acompanhe a liturgia diária e reflexões da arquidiocese.

Santo do Dia

Acompanhe o santo do dia e sua história na arquidiocese.

Palavra do Pastor

Acompanhe as mensagens e orientações do nosso arcebispo.

Calendário de eventos

Acompanhe o calendário de eventos da arquidiocese.

Receba as novidades da nossa Diocese

Inscreva-se em nossa newsletter e fique por dentro dos avisos, eventos e mensagens especiais da Diocese.