>
>
Eu creio na vida eterna

Eu creio na vida eterna

A proximidade do Dia de Finados convida a refletir sobre a morte. Os cemitérios fazem parte da paisagem das cidades

A proximidade do Dia de Finados convida a refletir sobre a morte. Os cemitérios fazem parte da paisagem das cidades e dos campos. São o sinal das inúmeras gerações que nos precederam. Indicam a finitude dos humanos e de todos os seres vivos. Convivemos cotidianamente com as notícias de mortes ocorridas pelas mais diversas causas. O sonho é que todas as mortes ocorram por causas naturais, mesmo estas não aceitamos.

Levar a sério a morte é sinal da valorização da vida. É importante falar sobre ela. A morte é uma realidade que não se conforma com a superficialidade. Não pode ser ignorado o fator existencial do medo de morrer e da sua imprevisibilidade. A certeza da morte gera angústia.

Como o cristão convive com a certeza da morte? As atitudes e palavras de Jesus Cristo são luz que iluminam este contexto angustiante e sofrido. O evangelho de João 11,1-44 relata a postura de Jesus diante da morte do amigo Lázaro. A primeira atitude é de solidariedade com Maria e Marta, as irmãs do falecido, indo visitá-las, ouvindo-as, dialogando com elas sobre o acontecimento. No encontro com as irmãs e o corpo do falecido, o evangelista registra que, Jesus “comoveu-se interiormente”, “perturbou-se” e “chorou”. Na véspera de ser crucificado manifesta a sua angústia e medo. No alto da cruz sente-se abandonado.

O encontro com a irmãs proporcionou uma oportunidade para dialogar. A conversa inicia com a manifestação das irmãs de que a morte poderia ter sido evitada se Jesus tivesse chegado antes. Ele não ignora este desejo, mas não se fixa nesta queixa. Jesus abre um novo horizonte para Marta e Maria diante do desejo de imortalidade. “Teu irmão ressuscitará”. “Eu sou a ressurreição e a vida.  Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá”. A limitada condição humana, marcada pela morte, pode ser vista sob nova perspectiva. Os seguidores de Cristo podem professar: eu creio na vida eterna!

Os cristãos percebem que Jesus Cristo não ignora, nem minimiza o sofrimento causado pela morte dos entes queridos. Pois, não é possível ficar indiferente nesta ocasião. O cristão também ouve de Jesus Cristo a boa nova da vida eterna e da ressurreição. Ao sofredor é oferecida a virtude teologal da esperança. A esperança não é somente a espera de um bem futuro; mas é antecipação das coisas futuras prometidas e já doadas pelo Senhor. “Na esperança, o hoje se abre para o horizonte da eternidade e a eternidade vem colocar as suas tendas no hoje; graças à esperança, o tempo quantificado (que nunca nos é suficiente, que é sempre muito pouco) torna-se tempo qualificado, hora da graça, tempo favorável, hoje da salvação, momento degustado na paz” (Cardeal Martini).

A pandemia da covid-19 impediu a realização digna e humana de velórios e a celebração das exéquias ou funerais. A Igreja, através do Ritual das Exéquias, participa da vida dos fiéis em luto. Ela exprime o caráter pascal da morte cristã e anuncia à comunidade a fé na vida eterna e, simultaneamente, realça a provisoriedade da vida terrena. As exéquias também têm por finalidade ser presença consoladora e fraterna junto aos familiares enlutados. Pois a dor dos familiares não pode ser quantificada, mas pode ser compartilhada e despertar compaixão.

Aos falecidos, dai-lhes, Senhor, o repouso eterno. E brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz. Amém.

 

Compartilhe

Formações relacionadas

06 de março de 2026

05 de março de 2026

03 de março de 2026

27 de fevereiro de 2026

Continue navegando

Liturgia

Acompanhe a liturgia diária e reflexões da arquidiocese.

Santo do Dia

Acompanhe o santo do dia e sua história na arquidiocese.

Palavra do Pastor

Acompanhe as mensagens e orientações do nosso arcebispo.

Calendário de eventos

Acompanhe o calendário de eventos da arquidiocese.

Receba as novidades da nossa Diocese

Inscreva-se em nossa newsletter e fique por dentro dos avisos, eventos e mensagens especiais da Diocese.