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Ele vem em nome do Senhor

Ele vem em nome do Senhor

Estamos chegando ao fim da nossa peregrinação quaresmal e iniciamos a Semana Santa com a celebração de Ramos. Seguindo o

Estamos chegando ao fim da nossa peregrinação quaresmal e iniciamos a Semana Santa com a celebração de Ramos. Seguindo o roteiro dos evangelhos sinóticos, vê-se como o fim da jornada missionária de Jesus pela Palestina, culminando com a sua chegada e entrada triunfante na cidade de Jerusalém. O texto de Lucas sublinha esta decisão: “quando chegaram os dias para ser elevado ao céu, Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém” (Lc 9,51). Depois da jornada final, ainda exercendo o ministério salvador, chegou à cidade. Rezamos esta liturgia articulando estes momentos com um acento especial neste domingo: um terceiro momento, a narrativa da Paixão do Senhor.

O segundo momento, conectado ao primeiro, a jornada missionária, narra a entrada na cidade de Jerusalém, sede dos poderes político, religioso e econômico do país onde o Filho de Deus se encarnou. Lembramos que os dois momentos estão intercalados e devem ser lidos, mesmo com fundamento histórico, sob a luz da fé e em comunhão com tudo o que Jesus fez em benefício do povo de Deus. Implica compreender que sua viagem a Jerusalém não foi a passeio ou um turismo sem maiores consequências. Jesus tinha consciência das dificuldades que encontraria na cidade e não estava iludido quanto a isso. Por diversas vezes chegaram emissários dos adversários buscando informações sobre sua atuação ou tentando colocá-lo em situação difícil. Em Jerusalém, encontraria seus adversários articulados em vista do combate ao Filho de Deus. Porém, essa consciência ainda era muito frágil no discipulado. Veja-se que alguns ainda imaginavam chegar à cidade para usufruir de algum tipo de poder. Nesse sentido, compreende-se a crise que a crucificação gerou no grupo.

Na perspectiva política, a chegada de Jesus a Jerusalém coincidiu com a chegada de um aparato do exército romano. Era véspera da Festa da Páscoa judaica. Muita gente chegava à cidade para o evento. Dobrava-se a vigilância pelo medo de alguma possível revolta, visto que a Palestina estava sob o domínio do Império Romano. O Filho de Deus, todavia, entra de uma forma muito simples e pretendia entrar apenas com seus discípulos. Segundo o evangelista Mateus (Mt 21,1-11), ele entra montado em um jumentinho, de forma diferente dos militares, que chegavam montados em cavalos. O jumento era o instrumento de locomoção dos pobres e dos trabalhadores; o cavalo era montaria de guerra. Jesus se identificava com os pobres, mas chegava também como mensageiro da paz. Ele era o Messias esperado, que chegava para tomar posse da cidade não pela guerra, mas com uma proposta de paz, vida digna e feliz para todos, a comunhão plena com o povo que o acolheu. Aquilo que anunciava desde a Galileia o faria também em Jerusalém.

As pessoas pobres que estavam na cidade e que também ouviram falar de Jesus se identificaram com o Filho de Deus e o aclamam com o que tinham em mãos, mas que queriam ofertar: as roupas estendidas no caminho e os ramos nas mãos. Iam na frente, como se abrissem caminho (Mt 21,8). Gritavam que Jesus é bendito porque vem em nome do Senhor. Ele age diferente do general e de seu exército, que vinham em nome de César para trazer a guerra e a dominação. Jesus chegava para salvar aquele povo através do caminho da paz.

Diante da pergunta sobre quem ele era, afirmam a sua identidade, que é a sua missão: o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia.

A segunda referência da celebração apresenta a narrativa da Paixão do Senhor. É um modo de afirmar o contraste entre a acolhida e aclamação do Filho de Deus em Jerusalém e, dias depois, seu calvário na mesma cidade. É um paradoxo desconcertante, como os processos humanos às vezes são. Mas compreendamos como a consequência que Jesus assume conscientemente pela coragem de mergulhar na nossa humanidade (Fl 2,5). No final, a vida ressuscitada triunfou.

 

Pe. Ari Antonio dos Reis

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