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Dá-me de beber dessa água!

Dá-me de beber dessa água!

Para os povos da antiguidade o poço ou fonte de água era importante. Era o lugar de fornecimento de água

Para os povos da antiguidade o poço ou fonte de água era importante. Era o lugar de fornecimento de água para os habitantes do lugar e, consequentemente, tornou-se ponto e encontro, troca de informações e fortalecimento de vínculos. Para alguns grupos sociais era o lugar do protagonismo feminino, visto que a mulher era responsável por abastecer a casa de água para a família e para a criação. O poço é também uma referência significativa na leitura de alguns personagens do Antigo Testamento especialmente, Abraão, Jacó e Moisés, pela implicância na trajetória de suas vidas.

No Evangelho proposto para este domingo (Jo 4,5-42), terceiro domingo da quaresma, veremos que Jesus fez do poço um “lugar teológico”, onde revelou na sua pessoa o amor de Deus e a disponibilidade de acolhida a todos, sem distinção, doando-se como água viva para aplacar a sede do eterno e de um projeto salvador.

A primeira leitura (Ex 17,3-7) prepara para compreender o texto do Evangelho. O povo de Deus fazia a travessia do deserto, deixando a escravidão no Egito e rumo à terra prometida. A sede e a impaciência tomaram conta daquele povo. Ali gritava alto o instinto. Não tiveram a paciência de compreender o sacrifício em nome de algo maior. Frente à crise de Moisés, Deus se manifesta e manda o líder utilizar a mesma vara que abriu o Mar Vermelho (Ex 14,21-30), para que todos pudessem ter água. Assim, afirmava que não abandonaria seus filhos. A mesma ação que os separou dos Egípcios permitiu que tivessem água para aplacar a sede. Mas deveriam avançar e amadurecer na confiança em Deus sem ressalvas e murmúrios (Ex 17,3). Significa a atitude de acolher a orientação do salmista (Sl 94) não fechando o coração diante das dificuldades, mas ouvindo a voz de Deus. Ouvir a voz de Deus implica na disposição de deixar-se guiar por ele.

A mulher samaritana, com quem Jesus encontrou-se no poço de Sicar, deixou guiar pelo Filho de Deus e sua Palavra reveladora, e viveu uma experiência marcante. Chamou a atenção a estratégia de Jesus. Estavam Ele e a mulher samaritana. Os discípulos tinham ido à cidade (Jo 4,8). Era necessário que estivessem sós. Assim como este encontro, a experiência quaresmal é pessoal e intrasferível. Precisamos fazer a experiência de estarmos a sós com Jesus na peregrinação quaresmal, mesmo considerando o valor comunitário da nossa fé.

Ele se aproximou da mulher com uma estratégia, faminto e sedento, ou seja, necessitado, como qualquer ser humano. Potencializa a sua humanidade frágil para poder se aproximar daquela mulher também frágil na sua humanidade e no ser mulher. O fato da mulher ser samaritana não é impedimento. Para o Filho de Deus não existem barreiras culturais ou de gênero para criar laços e proximidades. E, esta atitude permite o diálogo, porque pede algo que ela poderia momentaneamente oferecer, a água que estava no poço.

A atitude de Jesus explicitar a sua necessidade-humanidade permite que a mulher perceba que também tem necessidades as quais, Jesus poderia suprir. Jesus manifesta sede de água física, dom da natureza, que ela poderia tirar do poço (Jo 4,7). Porém, através do diálogo conduzido com respeito história de vida, desperta na mulher a sede do eterno, da proposta de Deus (Jo 4,13-14). Aquela mulher samaritana representa as pessoas que estão à procura de sentido para a suas vidas. Jesus a ajuda compreender a sede de sentido que tem. Oferece a ela a água para aplacar a sede de Deus que ela tanto buscava. A oferta é forma definitiva, diferente do que vinha acontecendo até então, segundo caminhos errantes que percorria (Jo 4,16-18).  A oferta, que também é gesto de acolhida, desperta o interesse, e a mulher samaritana, que pede para Jesus daquela água viva: senhor, dá-me dessa água para que eu não tenha mais sede e nem tenha que vir tirá-la. (Jo 4,15). Jesus desperta interessa e dá o que pede. É Mestre que acolhe sem reservas, rompe com diferentes barreiras.

O encontro de Jesus com a mulher samaritana provocou nela ainda outra atitude, a faz missionária. Ela teve a sua sede de eterno aplacada. Entretanto, ousou dar um passo a mais. Foi até a sua gente anunciar Jesus. A experiência que tinha feito era única e outros poderiam também fazê-la. Ela anuncia Jesus aos seus como o Cristo. Os outros deveriam também conhecê-lo.

O encontro, iniciativa de Jesus, é inspirador para os cristãos. Para tanto urge algumas atitudes. Primeiro, não fugir do encontro com Jesus nos diferentes lugares teológicos que a peregrinação quaresmal sugere. Segundo, acolher a sua oferta. Ele oferece um projeto pleno, a vida segundo o desígnio de Deus que aplaca a sede do divino. Terceiro, coragem de anunciar e testemunhar esta proposta. Pois, se ela tem sentido para nós é importante que outros também a acolham e vivam.

Pe. Ari Antonio dos Reis

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