Quando Jesus começou a formar o grupo dos discípulos e envia-los para anunciar o Reino de Deus, as coisas não aconteceram nem por acaso, muito menos sem um objetivo. Neste período de discipulado, o grupo dos doze teve alguém que os coordenou, que foi o próprio Jesus.
Depois da escolha dos discípulos Jesus esteve a frente de todos os momentos importantes da vida deles. Antes de orienta-los para alguma peregrinação, Ele ensinava, mostrava como proceder, ajudava a discernir, acolhia opinião, fazia todo um processo sinodal, para depois dar autonomia aqueles que passariam de discípulos para missionários.
Seguindo o exemplo do Mestre Jesus, a Igreja mantém um permanente processo de planejamento pastoral. Especialmente depois do Concílio Vaticano II e das Conferências de Medelin e Puebla, a atuação pastoral da Igreja ganhou dimensões maiores, que podem ser encontradas no tríplice múnus eclesial. Que palavra bonita, mas o que significa? Conforme a Constituição Dogmática Lumen Gentium, a Igreja realiza a missão de Jesus Cristo no mundo de hoje quando ela anuncia a Palavra (múnus de ensinar), quando celebra o Mistério da Fé (múnus de santificar) e quando exerce a missão de cuidar de forma integral da vida dos fiéis (múnus pastoral) (GS 24-27, 35-37). Nem todos exercem este tríplice múnus com a mesma intensidade. Quem assume um ministério específico, recebe, também, maior responsabilidade. Mas a tríplice missão é para todos um dever. Como diz especificamente esta constituição:
“Portanto, ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade, e a todos coube a mesma fé pela justiça de Deus (cfr. 2 Ped. 1,1). Ainda que, por vontade de Cristo, alguns são constituídos doutores, dispensadores dos mistérios e pastores em favor dos demais, reina, porém, igualdade entre todos quanto à dignidade e quanto à atuação, comum a todos os fiéis, em favor da edificação do corpo de Cristo” (LG 32).
Então, o tríplice múnus na ação evangelizadora requer que algumas pessoas auxiliem o todo da Igreja a manterem sua fidelidade ao projeto de Jesus Cristo, criando processos contínuos, tanto para a Igreja enquanto comunidade dos fiéis, quanto Igreja constituída por diferentes carismas e ministérios. Quem expressou essa missão de via dupla na Igreja foi o Papa Paulo VI na encíclica Evangelii Nunciandi número 15: “Assim, é a Igreja toda que recebe a missão de evangelizar, e a atividade de cada um é importante para o todo. Evangelizadora como é, a Igreja começa por se evangelizar a si mesma. Comunidade de crentes, comunidade de esperança vivida e comunicada, comunidade de amor fraterno, ela tem necessidade de ouvir sem cessar aquilo que ela deve acreditar, as razões da sua esperança e o mandamento novo do amor.”
Diante desta breve introdução, desejo recuperar o sentido do coordenador de pastoral em uma arquidiocese. O bispo, por sua deliberação e aprovação do conselho de consultores, escolhe alguém para exercer uma função específica na arquidiocese, que é coordenar a ação evangelizadora, dinamizando o processo pastoral, sendo o elo de ligação entre o todo da caminhada e permitindo que o plano de pastoral seja assumido por todos. Como está expresso no Diretório da Arquidiocese de Passo Fundo sobre a função do Coordenador Arquidiocesano de Pastoral: “animar o processo de evangelização da arquidiocese a partir do Plano, zelar para que o plano seja colocado em prática, participar das reuniões de área mantendo diálogo permanente com o arcebispo e os coordenadores das áreas pastorais, ser o elo de ligação entre todas as pastorais, paroquias, setores e movimentos, auxiliar nas atividades pastorais que envolvem a arquidiocese, estar em sintonia com a equipe arquidiocesana de pastoral, assessoras as paróquias e conselhos sempre que a temática estiver relacionada com o tema do Plano e do diretório, coordenar as reuniões do conselho de pastoral, coordenar as assembleias arquidiocesanas de pastoral, participar das reuniões da província eclesiástica e do Regional Sul 3 da CNBB, fazer ligação com a Itepa faculdades, orientar a pastoral da comunicação, administrar o centro de pastoral, auxiliar na Romaria Arquidiocesana e ajudar orientação da livraria Arquidiocesana.” É muita responsabilidade para uma pessoa tão pequena. Mas não estou sozinho.
Nossa Arquidiocese tem uma linda história pastoral. Gostaria de registrar o nome de todos os padres que já exerceram esta missão: Pe Emílio Daiocchi (1967-1969), Pe Osvino Both (1970-1981), Pe Elli Benincá (1982), Pe Ercílio Simon (1983), Pe Valter Baggio (1984-1985), Pe Ercílio Simon (1986-1989), Pe Aldino Barth (1989-1992), Pe Otávio Klein (1993-2003), Pe Ladir Casagrande (2004-2013), Pe Renato Biasi (2014), Pe Arnildo Fritzen (2015-2017), Pe Ivanir Rampon (2018-2022) e Pe Ari dos Reis (2023-2025). Não são só nomes, mas trazem a trajetória da coordenação de pastoral. E não estão sozinhos. Por trás destes nomes estão uma lista infinita de Bispos e outros presbíteros, religiosos e religiosas, agentes de pastoral, leigos engajados nas paróquias e nas áreas pastorais, de pessoas que trabalharam no Centro de Pastoral. O que hora assumo é fruto do caminho realizado até aqui. Cada um no seu tempo e contexto histórico, com suas dificuldades, realizações e alcances. Até aqui chegamos. Que o Bom Deus conduza o que virá.
Pe Mateus Danieli – Coordenador de Pastoral