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Concílio Vaticano II: Jesus Cristo e o compromisso com a dignidade humana

Concílio Vaticano II: Jesus Cristo e o compromisso com a dignidade humana

A questão que interessa nesta reflexão é compreender a pessoa de Jesus e o compromisso com a dignidade humana a

A questão que interessa nesta reflexão é compreender a pessoa de Jesus e o compromisso com a dignidade humana a partir do Concílio Vaticano II (1965). Um dos números muito significativos em relação a pessoa de Jesus encontramos no documento Gaudium et Spes, 22.

Porque, pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem [pessoa]. Trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado.

Nesta narrativa encontramos uma concepção de Jesus encarnado na história e que é difícil ainda hoje os cristãos assumirem essa verdade na sua integralidade. Custa muito para as pessoas descobrirem que a divindade de Jesus se manifesta mediante as experiências humanas/historicidade. Muitas vezes, temos a tendência de imaginar Cristo simplesmente como um Deus que passeia pela terra disfarçado de homem/de gente.

Cristo Salvador presente na história

O ser humano quer e deseja ser salvo, não apenas por causa do pecado, mas por causa da própria realidade humana. Quer dizer, como ser finito, limitado e destinado à eternidade sonha com a vida plena, aberto ao futuro sem fim. Neste aspecto, se compreende que a salvação acontece a partir da história, mas não se limita às categorias históricas, porque as transcende. Se falamos em salvação, podemos nos perguntar: O que é a salvação cristã? Esta envolve vários aspectos interligados: é salvação do humano concreto e não genérico; a salvação não pode ser entendida em sentido individualista, mas incorpora a dimensão comunitária; a salvação não apenas espiritual do ser humano, mas abrange toda a sua realidade.

Por isso, o cristianismo fala da salvação sempre relacionando os dois mandamentos centrais deixado por Cristo, a saber, o amor a Deus e o amor ao próximo (Mc 12,29-31). Salvação assim não como pós-morte, mas como acontecimento da totalidade do ser humano. Salvação que começa aqui e se plenifica na eternidade. “A verdadeira esperança cristã, que procura o Reino escatológico, gera sempre história” (EG 181). Se a salvação é a superação do pecado, este assume concretização histórica que precisa ser ultrapassada em vista da afirmação do humano e da construção do Reino de Deus.

Jesus e o cuidado da dignidade humana

O ser cristão não tem nada de romantismo, nem de cultivo de uma espiritualidade fuga-mundi, mas trata-se de inserir-se no mundo e buscar transformar a realidade presente. E os problemas são históricos e difícil de enfrentar, porque são cristalizados em um modelo de sociedade que legitima a desigualdade social. Já diziam os Bispos no Concílio Vaticano II, através da Gaudium et Spes: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias (…), sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração” (GS1).

Portanto, vemos que a preocupação da Igreja através da evangelização é salvar a pessoa integralmente, assim como testemunhou Jesus. Ele não queria apenas curar a deficiência da pessoa, mas estava interessado em refazer o tecido social e religioso da realidade originante.

Ora, seguindo nesta trilha, a fé em Jesus Cristo, que é Deus, leva sempre a assumir as realidades da vida e do mundo como lugar da manifestação da presença amorosa de Deus. Esta presença pode expressar concordância com a vontade do ser humano quando realizamos sinais do Reino de Deus anunciado e testemunhado por Jesus, ou do contrário, pode ser sinal de denúncia profética quando não agimos como aqueles ou aquelas que não produzem frutos de dignidade e vida para as pessoas, particularmente aos pobres e excluídos do mundo.

Prof. Pe. Rogério L. Zanini
Professor da Itepa Faculdades

Ana Laura de Castro Gomes
Acadêmica de Teologia da Itepa Faculdades

Fotos: Arquivo da Itepa Faculdades
Em destaque: Imagem de Cristo – Capela da Itepa Faculdades

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