Vocação é, à luz da fé, um chamo de Deus e uma resposta humana ao serviço à vida plena. Proveniente do Latim, “vocare”, o termo vocação significa chamado, convite e, na caminhada cristã, articula-se ao caminho de discernimento percorrido por cada pessoa que, à luz do evangelho, almeja responder àquela ardente e saudável inquietude que habita seu coração, o sentido à vida!
A Igreja Católica, no Brasil, a saber, reconhece agosto, desde 1981, como “Mês Vocacional”, conforme fora definido através da 19ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Quer-se inspirar a comunidade cristã, e todas as pessoas de boa vontade, à dialogar, refletir, rezar e efetivar ações em prol do bem viver nas comunidades com vistas ao salutar exercício de construir projetos de vida que propiciem a “Alegria do Evangelho” no cotidiano socioeclesial, político econômico e cultural.
Neste 2022, propõe-se o tema: “Cristo Vive! Somos suas testemunhas” e a inspiração bíblica provém do evangelista João: “Eu vi o Senhor!” (Jo 20,18). Ter-se-á que, por coerência, interrogar: Por que, hoje, chamar ao testemunho? A resposta à esta interpelação, diga-se, exige sentar-se à mesa da comensalidade social e desnudar-se de preconceitos, entraves ideológicos, amarras político econômicas e culturais para que as palavras compartidas sejam límpidas e, por que não destacar, éticas.
A realidade contemporânea e suas mazelas, seja a “tempestade da pandemia” (Covid-19), a varíola dos macacos, a insensatez das guerras e outros cenários conhecidos, apesar de inauditos, gestam uma catástrofe social que, somada às recíprocas ameaças dentre algumas potencias mundiais, sufocam a voz dos povos que clamam por paz, pão, terra, teto e trabalho. Como, agora, testemunhar? “Como membros da sociedade civil, mantenhamos vivo o apelo aos valores da liberdade, responsabilidade, fraternidade e solidariedade; e, como cristãos, encontremos sempre na caridade, na fé e na esperança o fundamento do nosso ser e da nossa atividade” (Papa Francisco).
Há 14 anos no ministério presbiteral da Arquidiocese de Passo Fundo, CNBB Sul 3, à serviço da vida, especialmente junto aos/às jovens, ausculto São Tomás de Aquino quando expressa: “a ordenação não é celebrada para a salvação de um indivíduo, mas de toda a Igreja”, pois, “o sacerdote continua sobre a terra a obra redentora de Cristo” (São João Maria Vianney). Bem recorda a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida, que “no sacramento da Ordem, celebra-se o dom do ministério apostólico que continua sendo exercido na Igreja para o serviço pastoral a todos os fiéis” (DAp, 2007, n.175).
O exercício de testemunhar com a vida o projeto vocacional, enquanto resposta ao convite e a experiência de “ver” Cristo ressuscitado no olhar das pessoas, conclama ao ensinamento apresentado pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, o qual educa os presbíteros à missão de ser profetas, pastores e sacerdotes “configurados a Cristo sacerdote, de tal modo que possam agir em nome de Cristo cabeça” (PO 2).
“Eu vi o Senhor” no rosto da juventude! Oxalá este 41º mês vocacional brasileiro corrobore na construção de muitos projetos de vida às juventudes, torne-se oportunidade de graça e inspiração ao exame e à tomada de consciência da sociedade brasileira para que, realmente, sejamos todos(as) testemunhas da Civilização do Amor! Concluo, pois, compartindo o trecho de uma carta escrita por mãos juvenis e partícipe da 33ª Escola da Juventude: “Eu sei do sacrifício que tens que fazer todos os dias para seguir na missão-serviço que teu ‘sim’ exige. Sei que é uma vida vigiada e julgada por muitos; sou testemunha do amor e dedicação que tens pela Pastoral da Juventude! Toda vez que te escuto falar, em celebrações, me arrepio, pela verdade de teu coração!”