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Abolir a lei?

Abolir a lei?

O texto bíblico da liturgia dominical é Mateus 5,17-37. Jesus apresentou as Bem-Aventuranças, como a sua “carta magna” e seu

O texto bíblico da liturgia dominical é Mateus 5,17-37. Jesus apresentou as Bem-Aventuranças, como a sua “carta magna” e seu modo de ser, pensar e agir era plenamente coerente com a nova proposta. Neste contexto nasce a dúvida: Ele veio abolir a Lei e os Profetas? E Jesus responde: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. (…) nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra”.

A lei é boa e ordena aquilo que faz crescer a vida e proíbe o que a diminui. A lei ao mesmo tempo provoca, acusa e pune a situação de pecado, fazendo a vez de carcereira, pedagoga e tutora do ser humano. Ela é colocada como guarda da vida por causa do pecado e da fraqueza humana que produzem a morte.

A seguir, Jesus comenta quatro leis: não matarás; não cometerás adultério; a lei do divórcio e do falso juramento. Leis que Ele não veio abolir, mas “dar-lhes pleno cumprimento”. Ao abordar cada uma delas, fica evidente que não se trata de uma questão quantitativa e legalista, mas a impostação se direciona para uma dimensão qualitativa. A lei pela lei escraviza e não liberta.  Não podem ser julgadas só as ações, mas também as intenções. No versículo 48 oferece o parâmetro da lei e a norma do agir: “Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”. Ressalta que todos são irmãos por haver uma origem única.

“Não matarás”. É o fundamento mínimo de toda a relação, isto é, deixar o outro viver. Lembra o respeito pelo outro e a sua vida. Não basta não o matar, pois o assassinato físico vem de uma intenção interna da ira, do insulto, do desprezo e da falta de reconciliação. A ira é a morte do coração. O outro não é visto como irmão, mas como estranho, inimigo, rival, diante do qual me defendo e ataco.

Os dados estatísticos da violência apontam que alguns tipos de homicídio diminuíram, mas o feminicídio aumentou. Um crime que, na maioria dos casos, é praticado pelo marido ou namorado. O casal se formou por livre escolha e resolveu compartilhar a vida. Antes de chegar ao ato extremo de matar, certamente foram cultivados no coração intenções de ira, insulto, desprezo, traições, falta de reconciliação. A morte estava chegando sorrateiramente. 

Jesus ao abordar a lei “não cometerás adultério” segue a mesma linha de pensamento. O adultério não é um fato isolado, mas é a concretização de desejos alimentados no coração. Os desejos e sentimentos surgem instintivamente, mas há tempo e meios para evitar a decisão consciente do adultério. Os esposos estão um para o outro, como um dom recíproco de amor. Quebrar essa união é tirar a dignidade da pessoa e frustrar a comunhão de amor.

A lei do divórcio supõe o mal e prevê um remédio no pior. Jesus, por sua vez propõe o “Evangelho”, a boa notícia da vitória sobre o mal e da possibilidade de melhorar. A indissolubilidade proposta é compreensível, não como lei, mas como dom de um coração novo, livre no amor.

À lei “não jurarás falso” Jesus pede que não se jure de modo algum, pois o juramento chama a Deus por testemunha, mas “seja o vosso sim: ‘Sim’ e o vosso não: ‘Não”. O relacionamento humano é mediado por palavras e é preciso que sejam críveis e transparentes. Elas geram comunhão e fraternidade.  O que vai além disso é classificado como algo que vem do Maligno, isto é, aquele que gera confusão servindo-se da eloquência discursiva.

O pleno cumprimento das leis começa nas intenções das ações.

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