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A Palavra de Deus na Liturgia

A Palavra de Deus na Liturgia

E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós (Jo1,14)   O mês de setembro convida os cristãos

E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós (Jo1,14)

 

O mês de setembro convida os cristãos a retomarem uma relação que é central na tradição cristã, a proximidade com a Palavra de Deus. Ela esteve também no centro da vida e missão de Jesus, o verbo encarnado, em vista da salvação da humanidade. É indubitável o fundamento da escritura como impulsionadora da missão evangelizadora da Igreja. Sem o fundamento da Sagrada Escritura a Igreja corre o risco de perder o princípio norteador da sua missão.

O Papa Francisco, de saudosa, memória, na Exortação Evangelii Gaudium, lembra a necessidade da Palavra de Deus ser a fonte de toda a atividade eclesial. Afirma que não só a homilia deve se alimentar da Palavra de Deus. Toda a evangelização está fundada sobre esta Palavra escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada. A Sagrada Escritura é fonte da evangelização (EG 174).

A catequese de inspiração catecumenal também se fundamenta na Palavra de Deus. Os iniciantes, orientados pelas catequistas, a partir de cada encontro, vão aos poucos criando intimidade com a Sagrada Escritura na perspectiva de que seja uma fonte perene de espiritualidade não só no tempo de iniciação, mas em toda a caminhada de fé.  Então acolhem o conselho que o apóstolo Paulo deu ao jovem Timóteo: “desde a infância, você conhece as Sagradas Letras, que podem dar-lhe a sabedoria que leva à salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, refutar, corrigir, educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja, perfeito, preparado para toda boa obra” (cf. 2Tm 3,15-17).

A dimensão do ensino da Palavra de Deus é complementada pela dimensão litúrgica. A Constituição Dogmática Dei Verbum proclamada no Concílio Vaticano II (1965) recomenda o uso da Sagrada Escritura na Liturgia com zelo (DV 25). Outro documento promulgado no Concílio, a Sacrosanctum Concilium, que versa sobre a Sagrada Liturgia na Igreja, reitera a necessidade da disposição sempre mais ampla da Palavra de Deus para todos os fiéis que participam dos ritos litúrgicos, especialmente da celebração da missa. Recomenda também a proximidade entre a Sagrada Escritura, a pregação e a catequese litúrgica (cf. SC 35)

Sobre a missa assinala-se o diálogo especial que se estabelece entre Deus e a comunidade celebrante mediado pelo rito. O espaço celebrativo já convida a este diálogo porque se coloca em destaque a Mesa da Palavra ou o Ambão da Palavra. Ali a comunidade celebrante se alimenta da Palavra que Deus lhe dirige, antes de se alimentar do Pão da Eucaristia. Faz-se a memória da ação salvadora de Deus ao logo da História.  O destaque dado à Mesa ou Ambão é muito importante nos espaços de celebração. É o lugar simbólico de onde Deus fala para a comunidade celebrante.

Ele se dirige a esta comunidade pela primeira leitura, normalmente um texto do Antigo Testamento lembrando a trajetória do povo de Deus com acento especial ao marco histórico da libertação da escravidão do Egito e o compromisso da aliança.

O povo responde a esta proposta amorosa de Deus também se utilizando da Sagrada Escritura, fazendo uso do salmo, o salmo responsorial, este proclamado ou cantado solenemente da Mesa da Palavra, porque é Palavra de Deus.

Nas celebrações dominicais ou de Solenidades e Festas proclama-se a segunda leitura, um texto do novo testamento, carta paulina ou pastoral como iluminação para a vida eclesial hodierna.

No diálogo amoroso com o Pai e a comunidade celebrante se manifesta pela continuidade da escuta. Ele se manifesta de uma forma plena e definitiva na pessoa de Jesus Cristo e o seu Evangelho. Então na celebração, com a comunidade em pé, em atitude de escuta atenta, o Evangelho é proclamado pelo presidente da celebração. Sugere-se uma breve homilia para que a comunidade possa ser atualizada a partir da Palavra proclamada. Segundo o Papa Francisco, a homilia deve ser “ uma experiência intensa e feliz do Espírito, um consolador encontro com a Palavra, uma fonte constante de renovação e crescimento” (EG 136). Deve também, na opinião do Papa Francisco, “retomar o diálogo já estabelecido entre o Senhor e o seu povo” (cf. EG 137).

Sobre o uso litúrgico da Palavra, lembremos também os demais Sacramentos. Todos são celebrados com embasamento na Palavra de Deus e encontram na Sagrada Escritura referências consistentes para a sua adoção pela Igreja.

A liturgia vai além da celebração da Missa, da Palavra, ou dos Sacramentos. Recomenda-se que os encontros de oração dos cristãos estejam sempre fundamentados na Palavra de Deus. Os rituais sugeridos já apresentam esta estrutura. As diferentes propostas de bênçãos e outras celebrações contemplam textos bíblicos para que aquele grupo que está reunido se oportunize naquele momento a escuta da Palavra de Deus. É oportunidade de ouvir o que Deus tem a dizer naquela ocasião especial.

Junto ao anúncio e ao ensino a Palavra de Deus é uma grande fonte de oração e fundamento da ação litúrgica.

 

Pe. Ari Antonio dos Reis

 

 

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