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A Fraternidade saiu em Campanha

A Fraternidade saiu em Campanha

Na semana em que a Campanha da Fraternidade tem um de seus momentos significativos, que é a coleta da solidariedade

Na semana em que a Campanha da Fraternidade tem um de seus momentos significativos, que é a coleta da solidariedade em todas as igrejas do Brasil, é importante recuperar o sentido desta campanha em nosso país e a sua história, a fim de reafirmar o compromisso evangélico com a Fraternidade e a defesa da vida.

No ano de 1958, durante uma seca muito severa no país, o Pe Expedito Sobral, assessor da Juventude Agrária Católica, propôs aos jovens uma coleta em favor dos mais atingidos pela falta de água. A idéia era que cada jovem doasse o equivalente a um dia de salário. Depois tiveram campanhas para promover a alfabetização dos adultos e de assistência as comunidades rurais. Estes movimentos foram o embrião daquilo que se tornou a Campanha da Fraternidade: uma campanha de arrecadação financeira para promover a fraternidade cristã incentivando projetos para os mais necessitados.

Já no ano de 1963, a Campanha da Fraternidade foi assumida por 16 dioceses do nordeste. E no dia 26 de dezembro deste mesmo ano, Dom Helder Câmara, então secretário geral da CNBB, enviou uma carta circular aos bispos do Brasil consultando os bispos sobre a possibilidade de , no próximo ano, tornar a Campanha da Fraternidade um projeto de  todas as dioceses do Brasil. Nesta carta circular também estavam questões que os bispos deveriam responder, como: se a diocese participaria da campanha e se era importante apresentar uma motivação comum, produção de material para reflexão e tema sugerido.

A aceitação veio de tão bom agrado por parte dos bispos do Brasil que no ano seguinte, 1964, a CNBB em conjunto com a Cáritas Nacional apresentou a Campanha da Fraternidade em âmbito nacional como um projeto evangelizador da Igreja do Brasil, sinal de comunhão, conversão e partilha. A iniciativa superou as expectativas pois, além de ser um gesto de partilha com a coleta, a Campanha da Fraternidade se tornou uma oportunidade de evangelizar através da formação de consciência dos cristãos católicos. Ao apresentar a pauta de um tema no qual a fraternidade não é vivida em sua totalidade, a Igreja do Brasil cria comunhão na reflexão, na promoção de projetos transformadores e no fortalecimento do Evangelho ensinado por Jesus Cristo, atenta aos sinais dos tempos e as pautas relevantes para o presente momento da história.

Neste ano, a temática que toca a Igreja de todo Brasil é a respeito da Moradia desenvolvida em três olhares: moradia digna como porta de entrada para demais direitos do cidadão, o olhar da fé a partir do Evangelho de João 1,14 e do ensino social da Igreja, e num terceiro momento a iluminação da fé leva a um agir cristão comprometido com a dignidade da moradia.

No final de semana em que se celebra o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, este ano a 28 e 29 de março, todas as comunidades católicas do Brasil são convidadas a promover a partilha com a coleta da Campanha da Fraternidade. É um gesto que remete a história das campanhas, mas também a continuação deste sonho de promover a fraternidade e o atendimento aos mais necessitados através de projetos solidários. O dinheiro arrecadado com a coleta sustenta o fundo nacional, regional e diocesano de solidariedade.

É tempo de promover a solidariedade e a partilha. Como nos exortou o papa Francisco na Fratelli Tutti: “Quero destacar a solidariedade, que «como virtude moral e comportamento social, fruto da conversão pessoal, exige empenho por parte duma multiplicidade de sujeitos que detêm responsabilidades de carácter educativo e formativo. […] A solidariedade manifesta-se concretamente no serviço, que pode assumir formas muito variadas de cuidar dos outros. O serviço é, “em grande parte, cuidar da fragilidade. Servir significa cuidar dos frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo”. Nesta tarefa, cada um é capaz “de pôr de lado as suas exigências, expetativas, desejos de omnipotência, à vista concreta dos mais frágeis (…). O serviço fixa sempre o rosto do irmão, toca a sua carne, sente a sua proximidade e, em alguns casos, até “padece” com ela e procura a promoção do irmão. Por isso, o serviço nunca é ideológico, dado que não servimos ideias, mas pessoas” (FT 114-115).

Deste modo, no próximo final de semana, com os ramos em uma mão e o nosso gesto de partilha na outra mão, vamos celebrar o ponto alto da Campanha da Fraternidade com a coleta da solidariedade. Jesus Cristo, mestre e modelo de partilha, conta com todos os seus filhos e filhas para este gesto.

 

Pe Mateus Danieli – Coordenador de Pastoral

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