Na comunidade acolhe-se o testemunho da ressurreição, convence-se dele como ato de fé e faz-se proclamador dessa boa-noticia. Esta experiência

Acreditar e testemunhar o Ressuscitado!

 

Neste segundo Domingo da Páscoa, Domingo da Misericórdia, segundo iniciativa do saudoso Papa Francisco, acompanhamos o encontro do Filho de Deus com seus seguidores (Jo 20,19-31). O desafio dos seguidores de Jesus era acreditar no testemunho dado sobre a Sua ressurreição. E este desafio surgia em meio a outras preocupações, entre elas enfrentamento do medo dos que perseguiram e crucificaram o Nazareno.

Os evangelistas procuraram escrever estes momentos significativos na vida daqueles homens e mulheres e também como Jesus, o crucificado-ressuscitado os ajudou a dar este passo significativo, crucial para que seu projeto tivesse continuidade e não arrefecesse com a morte de cruz. O Evangelista João apresenta estes momentos nos dois últimos capítulos do seu texto. João já havia relatado a experiência de Maria Madalena, Pedro e João (Jo 20, 1-9) com a proposta de que era necessário acreditar na ressurreição para poder proclamá-la.  Também relata o diálogo especial de Maria Madalena com o ressuscitado e a sua constituição como proclamadora daquela boa-nova para toda a comunidade cristã (Jo 20,11-18).

No texto refletido neste domingo, segundo João, a comunidade está reunida no primeiro dia da semana com as portas fechadas por medo dos Judeus (Jo 20,19). Estão ainda marcados pela insegurança e o medo. Para todos ainda pesa a sombra da crucificação. Possivelmente não é uma reunião alegre. É uma reunião pesada e angustiante. Mas as portas fechadas não impedem que o crucificado-ressuscitado se coloque no meio do grupo desejando a paz. Ele se apresenta com esta manifestação: “a paz esteja convosco”. Foi a primeira atitude de Jesus. Era necessária para tranquilizar o coração dos seus seguidores.

Em seguida mostra as mãos e o lado. E faz isso para revelar-se vitorioso sobre a cruz e permitir que o grupo se apropriasse daquela realidade alvissareira e superasse o medo. Quem estava ali não era outra pessoa. Era Jesus que vencera a cruz e voltara para a sua comunidade vitorioso. De parte dos discípulos o medo dá lugar a alegria. Mas Jesus queria mais do grupo. Deseja novamente a paz e os envia em missão (JO 20,21). O lugar deles não era naquela casa com as portas fechadas. O lugar do grupo era no mundo anunciando a nova ordem, a proposta do Evangelho.

Jesus, crucificado-ressuscitado não abandona os discípulos em missão tão importante. Dá-lhes uma companhia. Diferente de Lucas que anuncia para cinquenta dias após a Pascoa, João sugere já ali o envio do Espírito Santo: “e depois de ter dito isso soprou sobre eles e disse recebei o Espirito Santo” (Jo 20,22).  O sopro lembra os tempos primordiais (G 2,7). Deus criou a vida pelo sopro. Aquele grupo estava sendo recriado pelo sopro de Jesus ressuscitado para uma missão especial.  Sob a força do Espírito Santo deveriam comunicar uma ordem divina-cristológica capaz de superar toda a injustiça ali nomeada de pecado. O grupo enviado por Jesus e inspirado pelo Espírito Santo não seria conivente com o pecado, a ordem injusta que matou Jesus, mas um contraponto a ela, gerando relações de vida e fraternidade.

Destaca-se a atitude de Tomé. Ele não viu o crucificado-ressuscitado. Ele foi provocado a fazer também a experiência com Jesus. Ao apresentar este fato João acentua a importância do testemunho daqueles que não foram testemunhas oculares da ressurreição do Senhor, todavia através da experiência da vida comunitária acolhem de coração aberto a boa notícia.

Na comunidade acolhe-se o testemunho da ressurreição, convence-se dele como ato de fé e faz-se proclamador dessa boa-noticia. Esta experiência comunitária será fundamental para a recepção do Espirito Santo, o impulso para a obra evangelizadora.

Pe. Ari Antonio dos Reis

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09 de abril de 2026

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