>
>
>
Ciclo de Catequese – 4. A espiritualidade da Páscoa inspira a fraternidade. «Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (ver Jo 15,12)

Ciclo de Catequese – 4. A espiritualidade da Páscoa inspira a fraternidade. «Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (ver Jo 15,12)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos! Acreditar na morte e ressurreição de Cristo e viver a espiritualidade da

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!

Acreditar na morte e ressurreição de Cristo e viver a espiritualidade da Páscoa incute esperança na vida e encoraja-nos a investir na bondade. Em particular, ajuda-nos a amar e a cultivar a fraternidade, que é, sem dúvida, um dos grandes desafios da humanidade contemporânea, como o Papa Francisco viu claramente.

A fraternidade surge de um dado profundamente humano. Somos capazes de nos relacionar e, se quisermos, sabemos construir laços autênticos entre nós. Sem relações, que nos apoiam e enriquecem desde o início da nossa vida, não poderíamos sobreviver, crescer ou aprender. Essas relações são muitas, diversas em forma e profundidade. Mas é certo que a nossa humanidade se realiza plenamente quando estamos e vivemos juntos, quando somos capazes de experimentar laços autênticos, não formais, com as pessoas que nos rodeiam. Se nos isolarmos, corremos o risco de adoecer de solidão e até de um narcisismo que se preocupa dos outros apenas por interesse. O outro reduz-se, então, a alguém a quem tiramos, sem que nunca estejamos verdadeiramente dispostos a dar, a doar-nos.

Bem sabemos que, ainda hoje, a fraternidade não pode ser tomada como garantida, não é algo imediato. Muitos conflitos, tantas guerras espalhadas pelo mundo, tensões sociais e sentimentos de ódio parecem demonstrar o contrário. Contudo, a fraternidade não é um sonho belo e impossível, não é o desejo de alguns iludidos. Mas para vencer as sombras que a ameaçam, devemos ir às fontes e, sobretudo, procurar a luz e a força n’Aquele que é o único que nos liberta do veneno da inimizade.

A palavra “irmão” vem de uma raiz muito antiga, que significa cuidar, preocupar-se, apoiar e sustentar. Aplicada a todo o ser humano, torna-se um apelo, um convite. Muitas vezes pensamos que o papel de irmão, de irmã se refere ao parentesco, ao laço sanguíneo, ao fazer parte da mesma família. Na verdade, sabemos bem como o desentendimento, a rutura e, por vezes, o ódio podem devastar as relações entre parentes, não apenas entre estranhos.

Isto demonstra a necessidade, hoje urgente como nunca, de reconsiderar a saudação com que São Francisco de Assis se dirigia a todas e a todos, independentemente das origens geográficas, culturais, religiosas ou doutrinais: omnes fratres era a forma inclusiva com a qual São Francisco colocava todos os seres humanos no mesmo patamar, precisamente porque reconhecia o seu destino comum de dignidade, diálogo, acolhimento e salvação. O Papa Francisco reiterou esta abordagem do Pobrezinho de Assis, destacando a sua atualidade depois de 800 anos, na Encíclica Fratelli tutti.

Este “todos” (tutti), que para São Francisco significava o sinal acolhedor da fraternidade universal, exprime um traço essencial do cristianismo, que desde o princípio foi a proclamação da Boa Nova destinada à salvação de todos, nunca de forma exclusiva ou privada. Essa fraternidade assenta no mandamento de Jesus, que é novo porque foi cumprido por Ele mesmo, o cumprimento superabundante da vontade do Pai: graças a Ele, que nos amou e Se entregou por nós, podemos, por nossa vez, amarmo-nos e dar a vida pelos outros, como filhos do único Pai e verdadeiros irmãos em Jesus Cristo.

Jesus amou-nos até ao fim, diz o Evangelho de João (cf. 13, 1). À medida que a Paixão se aproxima, o Mestre sabe bem que o seu tempo histórico está a chegar ao seu fim. Teme o que está por acontecer, experimenta o mais terrível tormento e abandono. A sua Ressurreição, ao terceiro dia, é o início de uma nova história. E os discípulos tornam-se irmãos plenamente, depois de tanto tempo a conviver, não apenas quando experimentam a dor da morte de Jesus, mas, sobretudo, quando O reconhecem como o Ressuscitado, recebem o dom do Espírito e tornam-se Suas testemunhas.

Os irmãos e as irmãs apoiam-se mutuamente nas provações, não viram as costas aos necessitados: choram e alegram-se juntos, na perspetiva ativa da unidade, da confiança e do acolhimento mútuo. Essa dinâmica é a que o próprio Jesus nos ensina: «que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (cf. Jo 15, 12). A fraternidade concedida por Cristo morto e ressuscitado liberta-nos da lógica negativa dos egoísmos, das divisões e das prepotências, e reconduz-nos à nossa vocação original, em nome de um amor e de uma esperança que se renovam todos os dias. O Ressuscitado mostrou-nos o caminho a percorrer com Ele, para nos sentirmos, para sermos “todos irmãos”.

Compartilhe

Notícias mais lidas

Arquidiocese

Destaques, Notícias, Notícias da Arquidiocese

Giro Paroquial

Notícias relacionadas

Destaques, Sínodo 2021–2024

24 de fevereiro de 2026

Notícias, Notícias da Arquidiocese

23 de fevereiro de 2026

Continue navegando

Liturgia

Acompanhe a liturgia diária e reflexões da arquidiocese.

Santo do Dia

Acompanhe o santo do dia e sua história na arquidiocese.

Palavra do Pastor

Acompanhe as mensagens e orientações do nosso arcebispo.

Calendário de eventos

Acompanhe o calendário de eventos da arquidiocese.

Receba as novidades da nossa Diocese

Inscreva-se em nossa newsletter e fique por dentro dos avisos, eventos e mensagens especiais da Diocese.