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Catequese. Constituição dogmática Lumen Gentium 7. Santidade e conselhos evangélicos na Igreja

Catequese. Constituição dogmática Lumen Gentium 7. Santidade e conselhos evangélicos na Igreja

Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos! A Constituição do Concílio Vaticano II Lumen gentium (LG) sobre a Igreja

Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!

A Constituição do Concílio Vaticano II Lumen gentium (LG) sobre a Igreja dedica um capítulo inteiro, o quinto, à vocação universal à santidade de todos os fiéis: cada um de nós é chamado a viver na graça de Deus, praticando as virtudes e conformando-se a Cristo. De acordo com a Constituição conciliar, a santidade não é um privilégio para poucos, mas um dom que compromete cada batizado a tender à perfeição da caridade, ou seja, à plenitude do amor a Deus e ao próximo. Com efeito, a caridade é o coração da santidade à qual todos os crentes são chamados: infundida pelo Pai, mediante o Filho Jesus, esta virtude «dirige todos os meios de santificação, informa-os e leva-os ao seu fim» (LG, 42). O nível mais elevado da santidade, como na origem da Igreja, é o martírio, «supremo testemunho de fé e caridade» (LG, 50): por este motivo, o texto conciliar ensina que todos os crentes devem estar prontos a confessar Cristo até ao sangue (cf. LG, 42), como sempre aconteceu e acontece ainda hoje. Esta disponibilidade ao testemunho realiza-se cada vez que os cristãos deixam sinais de fé e amor na sociedade, comprometendo-se em prol da justiça.

Todos os Sacramentos, de modo eminente a Eucaristia, são alimento que faz crescer uma vida santa, assimilando cada pessoa a Cristo, modelo e medida da santidade. Ele santifica a Igreja, da qual é Cabeça e Pastor: nesta perspetiva, a santidade é seu dom, que se manifesta na nossa vida quotidiana sempre que o acolhemos com júbilo e lhe correspondemos com dedicação. A este propósito, na Audiência geral de 20 de outubro de 1965 São Paulo VI recordava que, para ser autêntica, a Igreja quer que todos os batizados «sejam santos, isto é, verdadeiramente seus filhos dignos, fortes e fiéis». Isto realiza-se como transformação interior, pela qual a vida de cada pessoa se conforma a Cristo em virtude do Espírito Santo (cf. Rm 8, 29; LG, 40).

Lumen gentium descreve a santidade da Igreja católica como uma sua caraterística constitutiva, a receber na fé, dado que ela é considerada «indefetivelmente santa» (LG, 39): isto não significa que o seja de maneira plena e perfeita, mas que é chamada a confirmar este dom divino durante a sua peregrinação rumo à meta eterna, caminhando «no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus» (Santo Agostinho, De civ. Dei 51, 2; LG, 8). A triste realidade do pecado na Igreja, isto é, em todos nós, convida cada um a efetuar uma séria mudança de vida, confiando-nos ao Senhor, que nos renova na caridade. É precisamente esta graça infinita, que santifica a Igreja, que nos confia uma missão a cumprir dia após dia: a da nossa conversão. Por isso, a santidade não tem apenas uma natureza prática, como se fosse redutível a um compromisso ético, por maior que seja, mas diz respeito à própria essência da vida cristã, pessoal e comunitária.

Nesta ótica, adquire um papel decisivo a vida consagrada, abordada pela Constituição conciliar no capítulo sexto (cf. nn. 43-47). No santo povo de Deus, ela constitui um sinal profético do mundo novo, experimentado no aqui e agora da história. Efetivamente, sinais do Reino de Deus, já presente no mistério da Igreja, são os conselhos evangélicos que dão forma a cada experiência de vida consagrada: a pobreza, a castidade e a obediência. Estas três virtudes não são prescrições que acorrentam a liberdade, mas dons libertadores do Espírito Santo, mediante os quais alguns fiéis se consagram totalmente a Deus. A pobreza expressa a plena confiança na Providência, libertando do cálculo e do próprio interesse; a obediência tem como modelo o dom de si que Cristo fez ao Pai, libertando da suspeita e do predomínio; a castidade é a doação de um coração íntegro e puro no amor, ao serviço de Deus e da Igreja.

Conformando-se a este estilo de vida, as pessoas consagradas dão testemunho da vocação universal à santidade de toda a Igreja, sob a forma de um seguimento radical. Os conselhos evangélicos manifestam a plena participação na vida de Cristo, até à cruz: é precisamente pelo sacrifício do Crucificado que todos somos redimidos e santificados! Contemplando este acontecimento, sabemos que não existe experiência humana que Deus não redima: até o sofrimento, vivido em união com a paixão do Senhor, se torna caminho de santidade. Assim, a graça que converte e transforma a vida fortalece-nos em todas as provações, indicando-nos como meta não um ideal distante, mas o encontro com Deus, que se fez homem por amor. A Virgem Maria, santíssima Mãe do Verbo encarnado, apoie e ampare sempre o nosso caminho!

https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/audiences/2026/documents/20260408-udienza-generale.html

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