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Catequese 8. “Todos ficaram cheios do Espírito Santo”. O Espírito Santo nos Actos dos Apóstolos

Catequese 8. “Todos ficaram cheios do Espírito Santo”. O Espírito Santo nos Actos dos Apóstolos

Estimados irmãos e irmãs, bom dia! No nosso itinerário de catequeses sobre o Espírito Santo e a Igreja, hoje referimo-nos

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

No nosso itinerário de catequeses sobre o Espírito Santo e a Igreja, hoje referimo-nos ao Livro dos Atos dos Apóstolos.


A narração da descida do Espírito Santo no Pentecostes começa com a descrição de alguns sinais preparatórios – o vento impetuoso e as línguas de fogo – mas conclui-se com a afirmação: «E todos ficaram cheios do Espírito Santo» (At 2, 4). São Lucas – que escreveu os Atos dos Apóstolos – realça que o Espírito Santo é Aquele que assegura a universalidade e a unidade da Igreja. O efeito imediato de ficar “cheios do Espírito Santo” é que os Apóstolos «começaram a falar noutras línguas» e saíram do Cenáculo para anunciar Jesus Cristo à multidão (cf. At 2, 4 ss.).


Agindo assim, Lucas quis frisar a missão universal da Igreja, como sinal de uma nova unidade entre todos os povos. Vemos de duas maneiras que o Espírito trabalha pela unidade. Por um lado, impele a Igreja para fora, a fim de que possa acolher cada vez mais pessoas e povos; por outro, reúne-a no seu interior para consolidar a unidade alcançada. Ensina-a a dilatar-se na universalidade e a reunir-se na unidade. Universal e una: este é o mistério da Igreja.


O primeiro dos dois movimentos – a universalidade – vemo-lo em ação no capítulo 10 dos Atos, no episódio da conversão de Cornélio. No dia de Pentecostes, os Apóstolos tinham anunciado Cristo a todos os judeus e observantes da lei mosaica, independentemente do povo a que pertencessem. É preciso outro “pentecostes”, muito semelhante ao primeiro, o da casa do centurião Cornélio, para induzir os Apóstolos a dilatar o horizonte e derrubar a última barreira, aquela que separa judeus e pagãos (cf. At 10-11).


A esta expansão étnica acrescenta-se a geográfica. Paulo – lê-se ainda nos Atos dos Apóstolos (cf. 16, 6-10) – queria anunciar o Evangelho numa nova região da Ásia Menor; mas, está escrito, «o Espírito Santo impediu-o»; queria ir à Bitínia «mas o Espírito de Jesus não o permitiu». Descobre-se imediatamente a razão destas surpreendentes proibições do Espírito: na noite seguinte, em sonho, o Apóstolo recebeu a ordem de passar à Macedónia. Assim, o Evangelho saiu da Ásia natal e entrou na Europa.


O segundo movimento do Espírito Santo – aquele que cria a unidade – vemo-lo em ação no capítulo 15 dos Atos, durante a realização do chamado Concílio de Jerusalém. O problema é como fazer com que a universalidade alcançada não comprometa a unidade da Igreja. O Espírito Santo nem sempre realiza a unidade de maneira repentina, com intervenções milagrosas e decisivas, como no Pentecostes. Fá-lo também – e na maior parte dos casos – com um trabalho discreto, respeitador dos tempos e das divergências humanas, passando por pessoas e instituições, oração e confronto. De uma forma, diríamos hoje, sinodal. Foi o que aconteceu, efetivamente, no Concílio de Jerusalém, sobre a questão das obrigações da Lei mosaica a impor aos convertidos do paganismo. A sua solução foi anunciada a toda a Igreja, com as conhecidas palavras: «Decidimos, o Espírito Santo e nós…» (At 15, 28).


Santo Agostinho explica a unidade realizada pelo Espírito Santo com uma imagem que se tornou clássica: «O que a alma é para o corpo humano, o Espírito Santo é para o corpo de Cristo, que é a Igreja» (Discursos, 267, 4). Esta imagem ajuda-nos a compreender algo importante. O Espírito Santo não realiza a unidade da Igreja a partir de fora; não se limita a mandar que se unam. Ele mesmo é o “vínculo de unidade”. É Ele quem faz a unidade da Igreja.


Como sempre, concluímos com um pensamento que nos ajuda a passar do conjunto da Igreja para cada um de nós. A unidade da Igreja é a unidade entre pessoas e não se realiza de modo abstrato, mas na vida. Realiza-se na vida! Todos nós queremos a unidade, todos a desejamos do mais íntimo do coração; no entanto, ela é tão difícil de alcançar que, até no seio do matrimónio e da família, a união e a concórdia estão entre as coisas mais difíceis de conseguir, e ainda mais difíceis de manter.


O motivo – pelo qual a unidade entre nós é difícil – é que cada um quer, sim, que a unidade seja alcançada, mas em volta do próprio ponto de vista, sem pensar que o outro que está à sua frente pensa exatamente o mesmo sobre o “seu” ponto de vista. Por este caminho, a unidade só se afasta. A unidade de vida, a unidade do Pentecostes, segundo o Espírito, só se alcança quando nos esforçamos por colocar Deus, e não a nós próprios, no centro. Também a unidade dos cristãos se constrói assim: não esperando que os outros venham ao nosso encontro, onde estamos, mas caminhando juntos rumo a Cristo.


Peçamos ao Espírito Santo que nos ajude a ser instrumentos de unidade e de paz.

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