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A presença da mulher na Sagrada Escritura e na Evangelização

A presença da mulher na Sagrada Escritura e na Evangelização

A celebração do Dia Internacional da Mulher é acontecimento mundial e, verdadeiramente, é importante assinalar a data como celebração e

A celebração do Dia Internacional da Mulher é acontecimento mundial e, verdadeiramente, é importante assinalar a data como celebração e em vista das ameaças de retrocessos que prevalecem no horizonte.

A tradição cristã está ricamente fundamentada na ação feminina que, bem compreendida e acolhida, faz-se impulso para o agir evangelizador acolhendo e potencializando o agir masculino segundo o princípio da complementariedade e enriquecimento mútuo. A visita aos textos da Sagrada Escritura permite compreender a força, a genialidade e sensibilidade da mulher ao receber o mandamento divino no cumprimento do seu desígnio. Tais elementos se configuram posteriormente na missão cristã. É impossível captar tanta riqueza. Serão partilhados alguns elementos.

Iniciamos com a capacidade das mulheres hebreias ensinando a encontrar caminhos de resistência para preservar a vida do seu povo quando as forças da morte dos egípcios insistiam na ação destruidora e isto se manifesta de forma cabal na mãe e na irmã de Moisés que agiram para garantir a salvação do menino como também uma forma de crescimento seguro sem perder os vínculos com o seu povo (Ex 2,1-10). Esta irmã exerce o louvor ao cantar a libertação da escravidão, um cântico que brotava das entranhas antes marcadas pela dor, agora assinaladas pela certeza da libertação (Ex 15,1-20).

À medida da caminhada a genialidade feminina é capaz de ouvir a voz de Deus pela coragem de exercer a profecia. A profeta é aquela capaz de ouvir e falar a voz de Deus. O exercício da profecia requer coragem e capacidade de enfrentar os poderes contrários à vontade do criador. Lembramos aqui especialmente as profetizas Débora, Hulda e Ana. Mas a coragem profética se manifesta na capacidade de agir. Neste sentido a Sagrada Escritura lembra Judite, uma mulher que soube agir com sabedoria e astúcia quando os líderes do seu povo não sabiam o que fazer. E sua capacidade de ação libertou sua agente. A coragem de Judite convida a alegrar-se com peregrinação solidária de Rute. Esta mulher, junto com sua sogra, perdeu tudo. Não perdeu o espirito solidário. E junto com a sogra Noemi, a quem não devia nenhum um vínculo, peregrinou em busca do direito. A solidariedade de Rute faz-se prece nos lábios da bela Ester. Esta mulher ensina o valor do coletivo-comunitário. E ela compreende que seu lugar de poder e não rompe o vínculo com os seus, mas busca preservar suas vidas.

O Novo Testamento leva-nos a Maria de Nazaré, jovem que deu seu sim vivendo uma vida segundo a Palavra de Deus e não a sua palavra assumindo, portanto, uma peregrinação de mãe, discípula e missionária do salvador como consequência do sim. Após a ressurreição ela permaneceu fiel com o discipulado em vista da missão a ser assumida (At 1,14).  Também acolhemos o testemunho das outras discípulas que peregrinavam com Jesus (Lc 8,1-3) testemunhando o Reino, entre elas Maria Madalena, a discípula amada, chamada pelo saudoso Papa Francisco de apóstola dos apóstolos, pela coragem de ser fiel até o fim e ser a anunciadora da ressurreição. Estas mulheres foram sinal eloquente para as primeiras mulheres cristãs.

Estas foram importantes na estruturação das comunidades cristãs e deram grande impulso à atividade evangelizadora. Destacamos Lídia, que fez da sua casa o lugar de apoio a atividade missionária do Apóstolo Paulo (At 16,15). Segundo Antônio Almeida, muitas mulheres foram ativas no movimento missionário cristão colaborando em pé de igualdade com os apóstolos (cf. Almeida, 2009, p.33). Tornaram-se líderes do cristianismo nascente assumindo os diferentes ministérios. Naturalmente ornaram a Igreja com a coroa do martírio e este testemunho perdurou os séculos do cristianismo desde a defesa da fé cristã com Santa Cecília, Santa Luzia ou Santa Agatha ou mais recentemente com Dorothy Stang. Também deram testemunho de caridade e amor aos pobres explicitando a sensibilidade feminina no cuidado em proteção da vida. Destacamos Madre Tereza de Calcutá, Santa Dulce dos Pobres, Santa Isabel e tantas outras anônimas que cuidam da vida fragilizada como compromisso que emerge da fé. Os altares celestiais acolheram Santa Bakhita, a mulher negra de origem sudanesa que não perdeu o sorriso e a esperança apesar dos sofrimentos da escravidão. Ela ensina para todos nós que a esperança que brota da fé em Jesus Cristo permite avançar e superar as diferentes barreiras, inclusive do preconceito.

Como descrito, o protagonismo feminino na evangelização e na sociedade não acontece sem resistência e as sombras do caminho. Muito se avançou. Temos um caminho a percorrer e a tentação do retrocesso ronda nossas comunidades diante daqueles que não conseguem compreender a capacidade das mulheres de exercitar a sua missão na Igreja. O processo sinodal aponta um horizonte promissor como referência para todos nós no que tange ao papel das mulheres na missão evangelizadora da Igreja segundo o princípio da comunhão, participação e missão.   Mas destacamos o que escreve o Papa Francisco na Exortação EvangelLi Gaudium como reconhecimento e chamada de atenção. Como reconhecimento escreve:“a Igreja reconhece a indispensável contribuição da mulher na sociedade, com uma sensibilidade, uma intuição e certas capacidades peculiares, que habitualmente são mais próprias das mulheres que dos homens. Por exemplo, a especial solicitude feminina pelos outros, que se exprime de modo particular, mas não exclusivamente, na maternidade. Vejo, com prazer, como muitas mulheres partilham responsabilidades pastorais juntamente com os sacerdotes, contribuem para o acompanhamento de pessoas, famílias ou grupos e prestam novas contribuições para a reflexão teológica (EG 103).

Todavia, o Papa não se furta em chamar a atenção para a necessidade de avançar em algumas dimensões: “mas ainda é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja. Porque o gênio feminino é necessário em todas as expressões da vida social; por isso deve ser garantida a presença das mulheres também no âmbito do trabalho e nos vários lugares onde se tomam as decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais” (EG 203).

A Sagrada Escritura lega para toda a humanidade experiências significativas do papel das mulheres na salvação. Esta história continua em nossos dias. Que cada mulher possa dar a sua contribuição E cada homem possa ver como fator de enriquecimento.

Pe. Ari Antonio dos Reis

 

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03 de abril de 2026

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