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Do vazio da morte à glória da ressurreição!

Do vazio da morte à glória da ressurreição!

O evangelho proposto para este Domingo de Páscoa é de João 20,1-9. Segundo o texto, Maria Madalena, a discípula amada,

O evangelho proposto para este Domingo de Páscoa é de João 20,1-9. Segundo o texto, Maria Madalena, a discípula amada, foi ao túmulo bem de madrugada, quando ainda estava escuro e viu que tinha sido retirada a pedra do túmulo e Jesus não estava alí (Jo 20,1).

Maria Madalena representa a comunidade dos discípulos de Jesus, ainda abalada pela morte do Mestre. Ela, assim como os demais discípulos, fez a peregrinação com Jesus anunciando e testemunhando o Reino de Deus. Acreditou naquela proposta e se fez sua seguidora. Não foi a única mulher discípula, como afirma Lucas (Lc 8,1-3). Logo após a prisão de Jesus acompanhou todo o processo do calvário, não se dispersando como os demais, permanecendo aos pés da cruz, junto com Maria, a mãe de Jesus, outras mulheres, e João o discípulo amado (Jo 19,25).

Após a crucificação, o fato traumático, acordou de madrugada e foi ao túmulo, quando ainda estava escuro (Jo 20,1). Foi procurar onde não devia mais procurar, porque a morte pela morte não dá nada. Em si é um projeto acabado, sem futuro, sem esperança. O caminhar de Maria Madalena até aquele túmulo expressava o símbolo do aparente fracasso de um grande projeto. Haveria esperança?

O texto fala “quando ainda estava escuro”. As trevas podem representar o triunfo daqueles que não aderiram ao projeto de Jesus. A teologia joanina fala da contraposição trevas/luz. Jesus era a luz. Ele veio como luz para brilhar nas trevas (Jo 1,5). João Batista era o testemunho da luz verdadeira que ilumina o homem que estava vindo ao mundo (Jo1,9). Jesus mesmo afirmou: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).  Aparentemente a morte de Jesus implicava deixar o mundo sob o domínio das trevas, a ausência da luz.

Vejamos uma segunda acepção da “escuridão da madrugada”. O abalo da morte de Jesus deixou a comunidade dos discípulos perdida, sem rumo, sem esperança. Para onde ir? A morte havia sido um golpe duro para o grupo. Não sabiam para onde ir ou o que fazer. Implementou-se um grande vazio no discipulado. Em um primeiro momento foi um vazio paralisante.  A morte deixa este vazio. Quando não se consegue olhar para além dela, o vazio permanece e vai paralisando, ofuscando o horizonte. Não deixa caminhar.

A atitude de Maria Madalena, ao mesmo tempo em que denunciou a escuridão e o vazio, permitiu que a comunidade pudesse dar outro passo diante daquele momento difícil. No túmulo, “vazio de morte” ela viu algo novo. Ela havia saído para encontrar a morte ou o morto. Encontrou o túmulo “vazio de morte” e não encontrou Jesus morto. A princípio acredita na possível ação humana: “tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram” (Jo 20,2). Permanecia o vazio agora acrescido de uma dúvida. Onde colocaram Jesus? Ela comunica o fato a dois discípulos de Jesus. Apenas dois, porque possivelmente a comunidade estava dispersa, vivendo o vazio do projeto gerado pela morte.

Todavia, precisava de outros testemunhos diante da gravidade do fato. Agora são três que verão o fenômeno: Maria Madalena, Pedro e João. Cada um a seu modo será instado a fazer a sua leitura do quadro que se apresentou, porque o ato de acreditar na ressurreição é uma experiência única que cada pessoa pode fazer, como Tomé  foi provocado a fazer pelo mesmo ressuscitado tempos depois (Jo 20, 19-29).

O texto também diz que João correu mais depressa que Pedro, mas deixou Pedro entrar. João faz um gesto de deferência a Pedro, pois ele precisava daquela reconciliação. A dor da negação perdurava. Aquela dor só se curaria com amor e com fé, todavia uma fé mais potente. Deveriam acreditar que o Senhor havia ressuscitado.

 A narrativa discorre sobre João: “ele viu e acreditou” (Jo 20,9). Somente este “acreditar” iniciado por João permitiu posteriormente que o grupo dos discípulos saísse do medo e do vazio da morte para o anúncio do ressuscitado.

 A Páscoa do Senhor sugere este passo para os cristãos. Apesar de todo o amor dado por Jesus na sua missão, a morte de cruz legou para os discípulos um grande vazio e este os deixou perdidos e sem esperança. Tal vazio só seria superado pela alegria de acreditar na ressurreição. Ela é obra e mistério de Deus que requer o acolhimento humano.

 O ressuscitado, que se manifestou a Maria Madalena e aos demais, encheu o grande vazio do grupo. Mas não ficou nisso. Provocou todos a darem um passo a mais, anunciarem seu nome para todos os povos e nações: testemunharem a ressurreição. E eles fizeram isso. Primeiramente se cultivando em comunidade (At 1,12-14) e também testemunhando tudo que viram e ouviram (At 4,20).

A ressurreição é um projeto de fé e também um projeto missionário. Compreende o crer e o testemunhar. Vivamos este compromisso neste tempo de Páscoa!

 

Feliz Páscoa!

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