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Pedro e Paulo: o discipulado e o apostolado que nos inspiram

Pedro e Paulo: o discipulado e o apostolado que nos inspiram

  Celebramos no próximo final de semana a Solenidade de São Pedro e São Paulo, reconhecidos como colunas da Igreja

 

Celebramos no próximo final de semana a Solenidade de São Pedro e São Paulo, reconhecidos como colunas da Igreja pela importância na fundamentação e transmissão da fé cristã. A Sagrada Escritura relata as experiências de Pedro e Paulo a partir de testemunhos verossímeis apresentando para a humanidade como um caminho seguro de discipulado e apostolado, modelo para os cristãos.

             Ao propor a Solenidade de Pedro e Paulo como acento litúrgico, propondo como modelo de santidade, a Igreja reconhece sua importância na sua vida e missão como descreve o Prefácio da Oração Eucarística da solenidade de São Pedro e São Paulo: “Hoje, vós nos concedeis a alegria de festejar os apóstolos São Pedro e São Paulo. Pedro, o primeiro a confessar a fé em Cristo, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel; Paulo, mestre e doutor da fé, iluminou as profundezas do mistério e anunciou o Evangelho a todas as nações. Assim, por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, a mesma veneração”. Pedro e Paulo tiveram experiências diferenciadas com Jesus fazendo a passagem do discipulado ao apostolado indicando um caminho para os cristãos.

  Pedro aproximou-se de Jesus atendendo o chamado feito pelo Mestre e, imediatamente, deixou o trabalho de pescador, compreendendo que aquela missão valia a pena (Mc 1,16-20; Mt 4,18-22; Lc 5,1-11). Nos caminhos da Palestina, enquanto discípulo, foi descobrindo o projeto de Jesus e superando as contradições (Mt 16,23; Mc 8,33) pessoais e do grupo dos discípulos. Recebeu do Mestre uma tarefa importante a partir da sua proclamação de fé (16,18). Pedro viveu grande tensão após a ceia pascal, quando não foi capaz de sustentar a comunhão com Jesus. A negação da relação com Nazareno, já prevista, o deixou abalado. Ali se revelava um ser humano repleto de contradições, medos e inseguranças, apesar dos rompantes antes demonstrados.  

 Todavia, após a Ressurreição, Pedro foi confirmado na missão pelo Ressuscitado. Sob a força do Espírito Santo, agora como apóstolo, testemunhou a proposta do Ressuscitado convidando as pessoas à conversão (At 2,38-40). Deu outro passo significativo abrindo-se também ao compromisso do anúncio do Evangelho aos povos que não eram da tradição judaica, como expressa simbolicamente ao visitar a casa de Cornélio para rezar e partilhar a mesa com ele porque Deus o convenceu desta necessidade (At 10, 34-47). Pedro perdeu sua vida em Roma, último trecho da sua trajetória apostólica desde a Galileia, cumprindo o pedido de Jesus à beira-mar: “apascenta o meu rebanho” (Jo 21,19).

 Paulo era um judeu instruído na tradição judaica e cidadão romano. Nessa condição se fez perseguidor dos cristãos, o que considerava uma boa causa (At 8,1-4;9,1-2). No processo de conversão contou com o auxílio da comunidade cristã, que zelou pela sua saúde e o instruiu na fé (At 9,16-19a). Até então era um líder judeu. Fez-se um discípulo cristão mediante a iniciação mediada pela comunidade cristã, que o conduziu pela mão (At 9,9). Assumiu o caminho do discipulado do aprendiz o que fez que caíssem as escamas dos seus olhos e visse o mundo de uma outra maneira (At 9,18), algo que demorou certo tempo e exigiu paciência.  

O espírito irrequieto do apóstolo e a convicção missionária expressa nas palavras “ai de mim se eu não anunciar o evangelho” (1Cor 9,16), impulsionaram suas viagens e a fundação de comunidades cristãs, sozinho ou acompanhado. Assumia agora o apostolado.

Depois do primeiro contato visitava ou escrevia cartas, ajudando as comunidades a viverem a fidelidade à fé cristã. Aproveitava-se da capacidade de escrever para manter, via cartas, contato afetivo, orientador e estimulador da caminhada dessas comunidades. Paulo linha como característica a liberdade, que foi fundamental para sua abertura à novidade do Espírito, permitindo o anúncio livre do Evangelho a tantos povos. Por meio da leitura de suas cartas, é possível compreender um pouco da teologia que sustentava o agir missionário de Paulo. Ao final da sua vida, escrevendo a Timóteo, revelava-se convencido da validade do projeto que assumiu, pois havia combatido o bom combate na fé. E esta mesma fé lhe dava a certeza de um fim glorioso (2Tm 4,6-8).

Os dois apóstolos que assumiram caminhos e aprendizados diferenciados a partir do encontro com Jesus Cristo são inspiração para a vocação cristã, para se viver o compromisso batismal sem refutação da experiência diferenciada, mas assumindo a complementariedade.

Ao propor a Solenidade da mesma data a Igreja convida a este olhar mais amplo porque não existe um caminho único ou proposta única para servir à causa de Deus. Ele sopra e inspira a diversidade de serviços e ministérios como inspirou a missão petrina e paulina. 

 Lembremos também que Pedro e Paulo são referenciais para os cristãos. Assumindo a condição humana superaram os limites humanos, deram um testemunho de santidade e inspiraram uma vida santa. Neste sentido são um exemplo para os cristãos e para toda a humanidade, porque deram os fundamentos da fé e do seguimento do Filho de Deus.  

 

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