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Musicalidade Juvenil

Musicalidade Juvenil

O entretenimento é, sem dúvidas, uma atividade aprazível aos jovens, às jovens. Há infinitas formas de distração e, muitas delas,

O entretenimento é, sem dúvidas, uma atividade aprazível aos jovens, às jovens. Há infinitas formas de distração e, muitas delas, ligadas as conexões eletrônicas, tais como filmes, séries, música, etc. A Netflix, por exemplo, é um serviço de streaming por assinatura que permite, via internet, uma gama diversa de programações. Não raro, escuto jovens comentando conteúdos disponíveis neste canal e outros afins.

Particularmente, aprecio bons filmes, música, arte, teatro, mesmo não optando por canais pagos. Há diferentes meios possíveis, além da lógica mercantil. Contudo, vez ou outra, adere-se a programas nestes formatos. Você tem hábitos musicais, artísticos? Cinema? Qual entretenimento desperta-te? Diversão, conexões, ações sociais, o que?

Recordo, fevereiro de 2008, quando no Brasil fora lançado o filme “O Som do Coração”. Evan Taylor, personagem principal, era um menino/adolescente que dispunha grande talento musical, um verdadeiro prodígio. Seus pais eram musicistas e, por diversas situações, acabaram separados. Evan, sem contato com a família é acolhido em um orfanato, mas algo sempre lhe impulsiona à procurar pelos pais. No decorrer da história Evan recebe um codinome, August Rush, e interage com diversas pessoas. Através de uma amiga, conhecida por meio do coral da igreja, o adolescente ingressa nos estudos musicais e posteriormente inscreve-se na escola Juilliard, em Nova Iorque, que lhe permite seguir “o som do coração” e encontrar seus pais. Ao término da comovente cena do encontro, Evan/August diz: “A música é tudo o que nos rodeia. Tudo que você tem que fazer é ouvir”.

Há poucos dias, aconteceu a 4ª Conferência Internacional de Música, refletindo o tema “Textos e Contextos” relacionados a Igreja e a Música. O Sumo Pontífice, por mensagem de vídeo, expressou-se aos participantes demonstrando sua proximidade e encorajando à seguir: “O meu pensamento vai a todos aqueles que foram afetados: aos músicos, que viram as suas vidas e profissões desestabilizadas pelas exigências do distanciamento; a quem perdeu o emprego e o contato social; a quem teve que lidar, em contextos difíceis, com os momentos necessários de formação, educação e vida comunitária. Muitos dedicaram esforços significativos para continuar a oferecer um serviço musical dotado de nova criatividade. Trata-se de um empenho válido não só para a Igreja, mas também para o horizonte público, para a própria ‘rede’, para quem trabalha nas salas de concerto e em outros lugares onde a música está a serviço da comunidade. Espero que também esse aspecto da vida social possa renascer, que se volte a cantar e a tocar e a curtir juntos a música e o canto”.

Muito mais que lazer e entretenimento, a música, para muitas pessoas, jovens e adultas, é um instrumento de trabalho, de evangelização e missão na vida eclesial e societária. Neste contexto pandêmico, não poucos sujeitos, se descobriram desalentados, desprovidos de recursos para subsistência de suas famílias ou mesmo para a continuidade de projetos sociais e comunitários em prol de crianças, adolescentes, jovens e adultos ligados à música, arte, etc.

Na comunidade eclesial, na Igreja, a música é componente essencial à evangelização. No trabalho junto aos jovens a musicalidade é um ótimo recurso em seus diversos contributos, seja para lazer, estudos, serviço às pessoas, ações sociais, celebrações, festividades e outros. Neste contexto, escutar e estar próximo às pessoas, aos jovens, é fundamental para nutrir a harmonia e o ritmo da vivência compartilhada, seja no grupo de jovens, no grupo artístico, teatral, nos espaços coletivos de participação e ação social, nas rodas de capoeira que, para além das conexões eletrônicas, propiciam aos corações acordes que possam lhes encontrar à plenitude da vida.

Papa Francisco, em sua sensibilidade pastoral, diz: “Caros músicos, o desafio comum é ouvir uns aos outros. Na liturgia, somos convidados a ouvir a Palavra de Deus. A Palavra é o nosso ‘texto’, o texto principal; a comunidade é o nosso ‘contexto’. A Palavra é fonte de significado, ilumina e orienta o caminho da comunidade. Sabemos como é necessário narrar a história da salvação em idiomas e linguagens que possam ser bem compreendidos. A música também pode ajudar os textos bíblicos a ‘falar’ nos novos e diferentes contextos culturais, para que a Palavra divina possa efetivamente alcançar as mentes e os corações.”

Portanto, na nobre e árdua missão de evangelizar e ser evangelizados(as), rogamos à criatividade, Divina Ruah, mãe da Boa Notícia, o Evangelho da Vida, “que vozes, instrumentos musicais e composições continuem a expressar, no contexto atual, a harmonia da voz de Deus, conduzindo à ‘sinfonia’, ou seja, à fraternidade universal” (Papa Francisco). À juventude desejo coragem e ousadia em seguir sonhando e arquitetando projetos, atividades, ações capazes de revelar a beleza da arte do Bem Viver!

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