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A sinodalidade e a criação do Instituto de Teologia e Pastoral

A sinodalidade e a criação do Instituto de Teologia e Pastoral

Pe. Nelson Izidoro Tonello[1] No ano de 1982, os Bispos e os Conselhos de Pastoral das Dioceses de Passo Fundo/

Pe. Nelson Izidoro Tonello[1]

No ano de 1982, os Bispos e os Conselhos de Pastoral das Dioceses de Passo Fundo/ Erexim/ Vacaria/ e Frederico Westphalen, optaram pela criação do Instituto de Teologia e Pastoral (ITEPA), hoje Faculdade, um organismo para proporcionar formação teológica e pastoral aos Seminaristas, Religiosos/as e Leigos/as em formação e já atuantes nas muitas comunidades da região. Mais tarde (1996), a Diocese de Chapecó também entrou nesta caminhada. Recentemente, as Dioceses de Palmas/PR (2021) e de Lages/SC (2021) ingressaram no projeto. Os seminaristas destas Dioceses estudam na Itepa Faculdades. Como tudo, o projeto inicial era do tamanho de “um grão de mostarda”. No seu coração, porém, havia a promessa da germinação. O ponto de partida estava claro. Claro também era o seu horizonte. O caminho, todavia, deveria ser construído.

QUARENTA ANOS

Quarenta anos de história e de caminhada, é um tempo significativo para o povo de Deus e para as Igrejas: nossos ancestrais na fé, ao dar o salto para a libertação, peregrinaram por 40 anos pela vasta região de Canaã em busca de um espaço para viver com liberdade e dignidade. Buscavam uma terra onde “corresse leite e mel”. Leite é símbolo de alimento e mel símbolo de liberdade. Mais tarde os profetas falavam de “novos céus e nova terra” (Is 65,17-25). Os indígenas que habitavam nossas regiões, por sua vez, sonhavam encontrar uma “terra sem males”. Como vemos, sonhos grandes e muito parecidos.

O número 40 lembra também o retiro de Moisés no descampado do Monte Sinai, para elaborar o código do seu povo, conhecido por nós como a Lei de Deus, sintetizada nos Dez Mandamentos (Ex 20, 1-17; Dt 5,1-21).

O profeta Elias, ao redor de 850 a.C, peregrinou por 40 dias do Monte Carmelo até o Monte Sinai para refazer a fé e a missão (1 Rs 19,1-18). Encontrou Deus na “brisa leve” e assim prosseguiu na jornada libertadora.

Jesus, por sua vez, engatou a sua missão na caminhada de seus antepassados, patriarcas e profetas, e lhes deu continuidade. Após o Batismo, retirou-se para o deserto por 40 dias: a missão estava clara, mas o caminho deveria ser construído. Abrindo o Livro do Êxodo, no capítulo 18, encontrou inspiração e entendeu que deveria organizar uma equipe de discípulos/as, homens e mulheres de fé, íntegros, desapegados, oriundos do meio popular, pessoas não só interessadas numa mudança, mas capazes de levar em frente o projeto do Reino de Deus.

CAMINHAR JUNTOS

Os descendentes de Abraão, conhecidos como Israelitas, construíram uma bela história: entenderam que deveriam caminhar juntos, lado a lado e na mesma direção. Para um horizonte tão especial, além de enfrentar os conflitos da caminhada, deviam superar os seus inimigos interiores, fruto de 400 anos de escravidão: a ganância, a acomodação, o individualismo, a idolatria, o medo…

ITEPA

A fundação do Instituto de Teologia e Pastoral não quis ser apenas uma resposta aos anseios por formação, mas também resposta à “fome da Palavra de Deus”, como falavam os Profetas ( Am 8,11). O Reino de Deus é uma construção que deveria ser erguida “tijolo após tijolo”, sobre a Palavra de Jesus “ouvida e praticada” (Mt 7,24-30).

No decorrer de seus 40 anos, o ITEPA conheceu erros e acertos, sobretudo muito esforço para responder à razão de ser e à missão. Os conflitos foram sendo superados pelo diálogo e pelo discernimento do Evangelho. A duras penas aprendemos a caminhar juntos. O Evangelho foi sempre a fonte maior: ninguém mais importante, ninguém mais sábio, ninguém dono da verdade. Apenas servos de Deus e servidores do povo de Deus, em permanente SÍNODO, como propõe o papa Francisco.

O SEU “TOCO” DE VELA

Ao anunciar o SÍNODO, Francisco convocou o povo de Deus para continuar o caminho testemunhado e proposto por Jesus, um caminho de luz:  Jesus é a “LUZ” e ao mesmo tempo o “CAMINHO” (Jo 8,12; 14,6).

Nesta caminhada, todos somos convidados a acender nosso “toco de vela”, para assinalar insistentemente, que não deserdamos do nosso porto assumido no Batismo. Em frente, pois!

[1] Especialista em Ciências Bíblicas, Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora Assunção, SP; Licenciado em Filosofia, UPF, Passo Fundo, RS; Licenciado em Pedagogia e Especialização em Filosofia, FAFIMC, Viamão, RS; Bacharel em Teologia, Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, SP; Título Superior de Religião e Catequese, Instituto Nacional de Pastoral, Est. Guanabara.

 

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