>
>
Vida eterna

Vida eterna

  “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” A pergunta é dirigida por alguém que quer

 

“Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” A pergunta é dirigida por alguém que quer “pôr Jesus em dificuldade”. Mesmo que a intenção do mestre da Lei seja torpe, Jesus não perde a oportunidade para responder a esta pergunta essencial para o cristão (Deuteronômio 30,10-14, Salmo 68; Colossenses 1,15-20 e Lucas 10,25-37).

            A Bula de proclamação do Jubileu de 2025 recorda que o cristão vive ancorado na esperança da vida eterna. Ela indica a essência da vida cristã por apontar a direção e a finalidade de quem crê. “Creio na vida eterna: assim professa a nossa fé, e a esperança cristã encontra nessas palavras um ponto fundamental de apoio. De fato, “é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade (…) a vida eterna” (CIGC, n.1817). O Concílio Ecumênico Vaticano II afirma: “faltando o fundamento divino e a esperança da vida eterna, a dignidade do homem é prejudicada de modo gravíssimo, como muitas vezes se verifica hoje e os enigmas da vida e da morte, da culpa e da dor, continuam sem solução, de forma que, não raro, os homens são levados ao desespero” (GS, n.21). Dessa forma, em virtude da esperança na qual fomos salvos, vendo passar o tempo, temos a certeza de que a história da humanidade e de cada um de nós não correm para uma meta inalcançável nem para um abismo escuro, mas estão orientados para o encontro com o Senhor da glória” (n.19).

            A fé cristã professa que a “herança da vida eterna” passa pelo juízo de Deus. O seu juízo é esperança porque é justiça e porque é graça. Se fosse somente graça tornaria irrelevante tudo o que é terreno. Se fosse pura justiça o juízo divino poderia ser para todos nós só motivo de temor. Na verdade, o juízo de Deus chama para a responsabilidade. Jesus, no evangelho em questão, diz duas vezes ao mestre da Lei: “Faze isto e viverás”. “Vai e faze a mesma coisa”.

O que é amar? A quem amar? A resposta as questões é dada na extraordinária parábola do Bom Samaritano. Por ser parábola permanece sempre atual e sempre envolve existencialmente os leitores. O tema tratado entre Jesus e o mestre da Lei é dialógica mostrando que o tema é perfeitamente acessível aos humanos. O mestre, pelos estudos da Lei, era sabedor que o caminho que conduz à vida eterna era: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” Isto já foi ensinado no Deuteronômio revelando que o amor é possível, não é um sonho, nem uma ilusão, nem um absurdo. Enfim é plenamente acessível aos humanos.

O amor revelado na parábola é subjetivo, dinâmico e teológico. É subjetivo porque envolve totalmente o sujeito: coração, alma, força e inteligência. É uma ação consciente exigindo um empenho radical. O amor é dinâmico por se exprimir em palavras e ações, conforme descreve a parábola: “aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: “Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais”.

Por fim, o amor é teológico por nascer da sintonia com Deus. Assim como Deus amou o mundo a ponto enviar Jesus e dar a vida na cruz pela salvação da humanidade, do mesmo modo o amor humano é empenho pelo Reino de Deus. Isto é, comportando-se como Deus e obtendo a plena comunhão com Ele que se concretiza plenamente na vida eterna. Entendendo vida eterna não como espaço, mas presença e relação constante com Deus.

 

Compartilhe

Formações relacionadas

13 de março de 2026

12 de março de 2026

10 de março de 2026

06 de março de 2026

Continue navegando

Liturgia

Acompanhe a liturgia diária e reflexões da arquidiocese.

Santo do Dia

Acompanhe o santo do dia e sua história na arquidiocese.

Palavra do Pastor

Acompanhe as mensagens e orientações do nosso arcebispo.

Calendário de eventos

Acompanhe o calendário de eventos da arquidiocese.

Receba as novidades da nossa Diocese

Inscreva-se em nossa newsletter e fique por dentro dos avisos, eventos e mensagens especiais da Diocese.