Há 62 anos, a Igreja do Brasil planeja em conjunto a ação evangelizadora. Esta experiência proporciona sintonia na caminhada de conjunto e ilumina os processos evangelizadores neste imenso país. Nesta linha histórica, a CNBB já aprovou 13 conjuntos de diretrizes gerais de ação evangelizadora, e está em andamento nestes dias, a aprovação de mais uma edição, tendo em vista os sinais dos tempos e as exigências que a Igreja, inserida na história e fiel ao projeto de Deus, deseja realizar.
O significado da palavra diretriz vem do latim “dirigere”, é relacionado ao conjunto de normas, orientações e proposições que favorece a organização dos processos, a fim de obter um determinado resultado. Esta definição permite entender o que significa, para a Igreja Católica do Brasil, esta caminhada planejada e com um objetivo bem claro: a evangelização em vista do Reino de Deus.
É interessante observar que as diretrizes fomentam, na Igreja, uma caminhada de “comunhão, participação e missão”, como propõe as palavras chave do Sínodo. Ouvindo a homilia de Dom Leomar Brustolin na missa do dia 17 de abril, durante a assembleia geral, chamou atenção a maneira como ele apresentou as diretrizes: como um processo de planejamento pastoral, fruto de um discernimento amadurecido da realidade eclesial, e que deseja ser uma luz para a Igreja, que vive, não de resultados, mas de processos evangelizadores. Os resultados, segundo ele, pertencem a graça de Deus, e a nós, cabe o trabalho incansável para alargar a tenda, para que mais pessoas sejam acolhidas na dinâmica do reino (não são palavras literais da homilia, mas o que consegui captar).
Sobre a importância dos processos, quem insistia sobremaneira neste tema era o saudoso Papa Francisco. Na exortação Evangelli Gaudium, dos números 222 a 237, o Papa apresentou uma pauta ilustradora da importância do planejamento pastoral, porém, sem perder de vista o horizonte da realidade em que cada pessoa, comunidade, paróquia e diocese estão inseridos. Só para recordar os títulos destes pontos: o tempo é superior ao espaço, a unidade prevalece sobre o conflito, a realidade é mais importante do que a ideia e o todo são superior a parte. Estes temas são uma abordagem clara de quem entende que os processos de planejamento pastoral são superiores aos resultados obtidos. Em outras palavras, o melhor resultado da ação evangelizadora é o processo. Nisto está contida a definição de Paulo VI, na exortação apostólica pós sinodal Evangelli Nunciandi número 15: “a Igreja que se evangeliza por uma conversão e uma renovação constantes, a fim de evangelizar o mundo com credibilidade”.
Este processo de constante evangelização de si mesma por um processo de conversão num mundo em transformações, a fim de manter a evangelização em sua instância mais óbvia que é a credibilidade, evidencia que os processos evangelizadores garantem os frutos da evangelização.
Compreender a evangelização desta maneira supera radicalmente a influência casuística do mundo, que precisa ver os resultados, os números, cumprir com as metas, fazer render, produzir. A evangelização está na lógica do Reino de Deus que é como a semente lançada na terra, o fermento misturado na massa e o baú do qual se tiram verdades sempre novas (Mt 13).
Assim, as diretrizes gerais da ação evangelizadora no Brasil são o trabalho pastoral do episcopado unido e reunido, com suas as iluminações teológicas, pastorais, eclesiais, bíblicas, fiéis ao Concílio Vaticano II e ao magistério da Igreja Católica. Este trabalho pastoral que os pastores de nossa Igreja apresentarão auxiliará o trabalho pastoral das base, o que envolve 280 dioceses e 12 mil paróquias em nosso território nacional. Elas, as diretrizes, são um grande esforço pastoral por parte do episcopado em garantir que os processos evangelizadores continuem em nossas comunidades nos fazendo caminheiros “nas estradas do mundo rumo ao céu, cada dia renovando a esperança de chegar, junto a face de Deus!” (Oração Eucarística V)
Pe Mateus Danieli