As celebrações da semana santa passaram, o domingo de páscoa já foi, e parece que, na liturgia “tudo foi consumado”. Para quem foi às celebrações litúrgicas da páscoa e participou como assembleia celebrante pode pensar que é muito fácil “fazer as coisas”, já que está tudo no folheto e não precisa de muito esforço para “executar” tais tarefas, que todos os anos são a mesma coisa.
Porém, este pensamento tão presente na maioria da consciência dos fiéis, e até de membros das equipes de celebração, é um grande engano e compromete profundamente a dignidade dos mistérios centrais da fé. Primeiro lugar, que o folheto é um suporte técnico para que as equipes de celebração tenham uma luz para orientar seus passos na preparação das celebrações. Há muito já deveríamos ter superado esta “cultura jornaleira” na liturgia para vivenciarmos de forma integral o que a sagrada liturgia propõe. E pior é que acabou entrando a era da projeção e os telões tomando conta do espaço litúrgico, como se o templo fosse um auditório de palestras.
Digo isto para lembrar que o trabalho das equipes de celebração durante a semana santa, o tríduo pascal e o Domingo de Páscoa é intenso e necessário. Quanto mais as equipes se dedicam neste ato primeiro da liturgia, que é a preparação, tanto melhor a comunidade vai mergulhar no mistério da fé. Como assim? Claro! A preparação litúrgica dá vida aos ritos propostos. Explicando: se pegarmos como exemplo o ministério dos salmistas nestes dias, quanta preparação eles tiveram para dar vida ao cântico do salmo. Alguns acham que é só ir lá e cantar de qualquer jeito. Mas cada salmo tem sua melodia, seu sentido, sua entonação, seu mistério. E cada salmista precisa ajudar a assembleia a dar sua resposta a Palavra de Deus através do cântico sálmico.
Outra questão bem importante para estes dias foi a preparação dos leitores. Como são textos longos, e os Evangelhos até dialogados, se não tiver preparação, a Palavra de Deus não tem o mesmo efeito na vida da assembleia celebrante. Ficam textos corridos, sem sentido, com palavras soltas e enfadonhas. Chega um momento que a própria comunidade cansa de ouvir os textos sagrados lidos de qualquer forma. Já, se a pessoa que vai servir no ministério de leitor conseguir se preparar, viver a leitura que irá proclamar, sentir o contexto do texto bíblico, tudo fica diferente. E quando isso acontece é imediata a reação do Povo. Eles tiram os olhos do folheto ou do telão e se voltam para a Mesa da Palavra e fazem aquela experiência de quem esteve na sinagoga com Jesus: “Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele.” (Lc 4,21). Quando a proclamação da Palavra de Deus é preparada, os olhos da comunidade se voltam e fixam naquele que está ali emprestando sua voz, seus gestos, seu olhar para a Palavra ganhar vida.
E sem contar o trabalho pastoral da ornamentação que precisa preparar os ramos, os óleos para a missa do Crisma, o jarro e a bacia para o lava-pés, o sacrário lateral, as flores, a cruz coberta, a imagem do Senhor Morto, o fogo, a pia batismal para a água, o incenso, o Círio Pascal, as toalhas, etc. Tudo isso é um trabalho de dedicação e preparação, a fim de ajudar a comunidade a vivenciar sua Páscoa da melhor maneira possível.
As vezes a gente acha que, na Igreja é tudo tão igual e repetido. Que pena quando se chega a esta conclusão! É tão profundo o que se vive na liturgia, especialmente na semana santa, no tríduo pascal e no domingo da ressurreição, que considerar pegar o folheto e fazer de qualquer modo resolve, se torna um crime inafiançável, para não dizer que é um pecado contra da Sagrada Liturgia.
Que nossas equipes de celebração se preocupem cada vez mais em preparar bem a liturgia e se preparar bem como pessoas, com formação, com ensaios, com alegria e muita disponibilidade para fazer bem o maior bem que é a celebração do Mistério da Fé!
Pe. Mateus Danieli