A Igreja vive o tempo de preparação para a páscoa, com os 40 dias da quaresma além dos 5 domingos que são celebrados na liturgia. Para mais do que um tempo litúrgico, a quaresma permite a realização de uma caminhada pastoral bastante fecunda, tantas vezes despercebida em nosso cotidiano.
Destaco a atividade pastoral da quaresma que reflete no crescimento espiritual dos fiéis. Isso acontece através da vida de oração, dos exercícios de piedade e da busca sincera da conversão pelo sacramento da reconciliação. É uma verdadeira “maratona” que acontece neste tempo para a vida dos fiéis. São propostos tempos de oração, retiros, vigílias, os grupos de preparação que refletem a temática da Campanha da Fraternidade, as via-sacras que celebram o calvário de Jesus Cristo ontem e atualizam suas dores no hoje de nossa história. São momentos intensos de evangelização através destes exercícios de piedade e oração.
Neste tempo, também aumenta a procura dos fiéis para a confissão. Para alguns é um rito mágico, repetido e sem muito compromisso. Mas para outros, a confissão é um momento especial de verdadeiro encontro com a misericórdia de Deus, que confirma o desejo de mudança de vida, de conversão de atitudes e de amor ao próximo. É quando o sacramento é vivido e celebrado de maneira plena e consciente pelo penitente que realiza o seu exame de consciência, procura o seu confessor para celebrar a misericórdia e dizer tudo aquilo que feriu a unidade com Deus, consigo mesmo e com o próximo.
Além disso, o penitente faz o seu propósito de “não mais andar pelo caminho dos zombadores” (Sl 1) e compromete-se contritamente com o Senhor para evitar o caminho do mal que o levou ao pecado. É receber a absolvição como um rito simbólico sacramental, trinitário e profundamente afável. A absolvição é um carinho, uma carícia de Deus através daquele que escutou piamente a confissão com um coração de pai, que aconselhou e orientou. E, por fim, a alegria que a confissão produz na vida é aquela descrita por Jesus no evangelho de Lucas, 15: “há mais alegria por um só pecador que se converte do que 99 que não precisam de misericórdia”.
A pastoral da quaresma também apresenta o desafio da Campanha da Fraternidade. Neste ano temos o tema da moradia. É uma oportunidade de sensibilizar as pessoas através da Boa Nova do Evangelho sobre uma realidade que fere tanto a fraternidade e a dignidade das pessoas: o direito a morar num lugar descente. Quando a comunidade participa dos encontros de formação sobre o tema e acolhe uma proposta que seja sobre o tema, já aconteceu uma reação evangelizadora. E nos seminários da CF deste ano tem soado como uma possibilidade concreta, a adoção de uma moradia pelas comunidades, famílias, grupos de pastoral e movimentos. Seria uma oportunidade de transformar, pela fé, a dignidade daqueles que, como Jesus, “não encontram lugares nas hospedarias” (Lc 2,7) de nosso tempo.
Portanto, a quaresma, além de ser um tempo litúrgico, é um tempo de pastoral intensa. Somando-se a todas as outras atividades que, o início do ano civil, retomam seus planejamentos e ações, a quaresma requer o devido cuidado e preparação para promover os efeitos da graça de Deus em nossa vida com bonitas celebrações, encontros quaresmais, momentos de oração pessoal e comunitária, uma confissão consciente, padres com o coração de pastores para ouvir as confissões do seu povo, aproximação das realidades dos que sofrem e a verdadeira ressurreição para a esperança que Páscoa de Jesus Cristo nos traz.
Pe Mateus Danieli – Coordenador de Pastoral