Alegrai-vos, é Natal! Este tempo especial para a vida cristã é um convite para renovarmos a esperança. Jesus é portador de um espírito sempre novo. Ao enviar o seu Filho ao mundo, Deus se aproxima de nossa humanidade, de nossas alegrias, dores e sofrimentos. Tudo o que diz respeito à vida se torna do interesse de Deus.
Dentro da chamada “oitava de Natal” somos agraciados com a assim chamada Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José. Esta celebração carrega um convite à acolhida do Deus-Menino e da vivência concreta e cotidiana da fé.
Uma alegria que se estende no tempo
Estamos no tempo do Natal. A dinâmica da vida litúrgica da Igreja ressalta os tempos fortes da vida de fé através de momentos preparatórios, como é o caso do Advento, e da continuidade das celebrações importantes através dos dias. Por isso, logo após a celebração do Natal do Senhor encontramos a chamada Oitava de Natal. Trata-se da continuidade desta significativa celebração em sua semana subsequente. Durante estes dias, continua-se cantando o Glória e ouvindo os textos bíblicos que estendem a alegria e esperança provenientes da vinda de Jesus ao mundo.
O tempo do Natal se prolonga e nos apresenta celebrações centradas no mistério da vinda do Senhor Jesus ao mundo: a Festa da Sagrada Família (28 de dezembro), a Solenidade da Epifania do Senhor (4 de janeiro) e a Festa do Batismo do Senhor (11 de janeiro). A celebração da Sagrada Família é a única das três que ainda se insere dentro da oitava do Natal.
Centrados em Jesus
Todos os tempos litúrgicos são centrados no Mistério da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A celebração que estamos vendo também o faz ao seu modo, nos mostrando que, vindo até nós no seio de uma família, Jesus estabeleceu a relação entre a família humana e a família divina.
Os sinais deste tempo, como o presépio, são claros e se tornam mais eloquentes em apresentar este mistério na medida em que traduzem este espírito. O presépio apresenta esta dimensão humana e carrega o desafio de traduzir a concretude da vida onde Deus se insere, com os dramas e desafios da vida abraçados por Deus.
As orações litúrgicas da festa deste primeiro domingo são profundas e fazem uma leitura da missão que guiará a vida deste menino recém-nascido e do modo como podemos, em família, assumir as suas opções de vida. A Oração da Coleta, por exemplo, reza assim: Ó Deus, que nos destes os luminosos exemplos da Sagrada Família, concedei que, imitando-a em suas virtudes familiares e em seu espírito de caridade, possamos gozar um dia dos prêmios eternos nas alegrias da vossa casa. Em poucas palavras, somos chamados a viver intensamente a fé a partir da família a tal ponto de alargarmos nossas relações e integrarmos a grande família de Deus.
A Palavra de Deus
Dentro das narrativas da infância de Jesus, o Evangelho de Mateus 2,13-15.19-23 destaca uma experiência desafiadora vivida pela Sagrada Família de Nazaré. Naquele momento, diante da perseguição empreendida por Herodes, aquela família se torna perseguida e refugiada. José, frente ao perigo e como pessoa obediente ao Senhor, encontra proteção no Egito.
Em sua profundidade, esta passagem do Evangelho deseja apontar para diversos aspectos da missão de Jesus. O Egito não é nominado aleatoriamente, pois recorda um novo êxodo e um novo povo de Deus que nasce do encontro com Jesus Cristo. O discernimento de José é uma das atitudes que o Papa Francisco sublinhou ao aprofundar esta passagem. Ainda assim, fica evidente o teor profético e atual deste texto bíblico, pois a questão migratória é um dos maiores dramas humanos atuais.
Neste tempo do Natal, celebremos com alegria e esperança a Festa da Sagrada Família de Nazaré!
Pe. Eberson Fontana