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40ª Romaria da Terra celebra a vida dos mártires e a luta pela terra

40ª Romaria da Terra celebra a vida dos mártires e a luta pela terra

Milhares de romeiros se reuniram em Pontão para vivenciar momentos de reflexão, partilha e fraternidade “A Terra é de Deus

Milhares de romeiros se reuniram em Pontão para vivenciar momentos de reflexão, partilha e fraternidade

“A Terra é de Deus e nela todos somos irmãos e seremos irmãos, de fato, na medida em que todos puderem partilhar da terra de Deus”. As palavras do arcebispo dom Rodolfo Weber são a síntese da última terça-feira, 28, quando milhares de romeiros se reuniram na antiga Fazenda Annoni – primeira ocupação brasileira de famílias organizadas dentro do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, localizada em Pontão – para vivenciarem, juntos, a 40ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul. A edição comemorativa do evento, que acontece sempre na terça-feira de Carnaval por ocasião do aniversário de morte de Sepé Tiaraju, foi norteada pelo tema “Romaria da Terra: 40 anos de luta e memória das conquistas” e pelo lema “Terra de Deus, terra de irmãos”.

O evento, organizado por representantes da Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul (CPT-RS), da CNBB Regional Sul III, da Arquidiocese de Passo Fundo e do MST, é a celebração da luta pela terra em todo o Rio Grande do Sul. É, também, a celebração da partilha e da fraternidade.  “Jesus nos desafia para o altruísmo, para a partilha, para sair da resposta do comum, para sair dos velhos trilhos e encarar os novos modelos. É preciso uma nova mentalidade. Um provérbio rabínico diz que “para Deus foi mais fácil tirar o povo do Egito do que tirar o Egito do povo”. Mudança de mentalidade é um desafio. É difícil manter os ideais. Aos poucos, entramos na mesma lógica da sociedade e não temos nada de diferente. É fácil de ir de uma terra para outra, ou do nada para uma terra. Difícil é viver a mentalidade da partilha e da fraternidade”, destacou o arcebispo.

Caminhada

A programação da Romaria, composta por diferentes momentos de debates, integração e espiritualidade, foi pautada pelas questões ligadas à terra e valorizou, de forma especial, os pequenos produtores, a agroecologia, o cuidado com a água e com o meio ambiente e a agricultura familiar através da Feira da Reforma Agrária.

Ainda, durante a caminhada, que foi constituída por um percurso de quase dois quilômetros, foram rememorados os 40 anos das romarias e, também, os frutos e mártires da luta pela terra: Sepé Tiaraju, Joceli Corrêa, Elton Brum da Silva, Lari Grosseli, Roseli Nunes e Vitalvino Mori – estes três últimos, assassinados numa manifestação de agricultores em Sarandi, em 1987, dois anos depois de ocorrer a ocupação da fazenda Annoni – foram nomes destacados durante a caminhada que ressaltou, ainda, que o exemplo de Jesus Cristo, como grande mártir, é o que guia a luta por melhores condições de vida.

Por fim, os desafios da luta e a celebração pelas vitórias foram retratados através de símbolos capazes de retratar os movimentos sociais, o crescimento das famílias e, ainda, o desenvolvimento da agroecologia e das feiras ecológicas. Para o padre Arnildo Fritzen, que sempre esteve ligado à luta pela terra e acompanhou a ocupação na antiga Fazenda Annoni de perto, a Romaria é um espaço de construção do coletivo e de busca por melhores oportunidades. “A luta pela terra nos mostra que o poder popular existe e que é possível transformar um latifúndio em terra produtiva e de boas oportunidades para muitas pessoas”, destacou.

Acampamento da Juventude

Também, jovens de todo do estado e de várias regiões do país participaram do Acampamento da Juventude que, desde 2005, faz parte da programação da Romaria e busca debater, refletir e celebrar o tema proposto pelo evento a partir de suas vivências e anseios. O Acampamento, espaço sócio-político-formador que surgiu por iniciativa da própria juventude, aconteceu nos dias 26 e 27, na área 01 da Fazenda e refletiu o tema “Juventude construindo projeto popular” e o lema “Prefiro morrer na luta do que morrer de fome” – em memória à Roseli Nunes, militante da luta pela terra morta em um protesto, em 1987.

Assim, entre atividades práticas, teóricas e de espiritualidade, os jovens foram envolvidos em diferentes plenárias, falas e exposições que buscaram, através da cultura e da mística, fazer memória àqueles que, durante muito tempo, lutaram pela igualdade e pela justiça.

2018

Durante a celebração de envio, os romeiros receberam a notícia de que a cidade de Mampituba, na Diocese de Osório, será o local da 41ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul.

Sammara Garbelotto

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Passo Fundo

imprensa@arquidiocesedepassofundo.com.br

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