No dia 5 de maio de 1626 chegaram ao solo gaúcho os primeiros missionários jesuítas. Os padres Roque Gonzales, João Del Castilho e Afonso Rodrigues deram início ao projeto missionário junto aos indígenas que habitavam o lado leste do Rio Uruguai. A presença os jesuítas já era realidade no Paraguai e na Argentina.
A primeira organização religiosa, social, política e cultural do encontro dos padres jesuítas com os indígenas guaranis foi a denominada redução de São Nicolau do Piratini. Conforme entrevista encontrada no site dos jesuítas, “o padre Roque González fundou em São Nicolau do Piratini a primeira redução em solo gaúcho. Surgia o protótipo das primeiras cidades, a praça defronte à igreja, com o casario ao redor. Ninguém sabe a localização exata do povoado. A missa inaugural foi celebrada em uma barranca do Rio Uruguai onde agora uma placa ostenta a inscrição “Aqui nasceu o Rio Grande”. A praça central do município ainda hoje preserva ruínas da segunda fase das reduções, quando São Nicolau foi refundada, em 1687. Há pedaços de paredes da igreja, colunas do que seria um entreposto comercial, uma adega subterrânea e o único piso conservado de lajotas e ladrilhos do período. Ao redor de São Nicolau, logo surgiriam outras 17 reduções. Em cada uma delas despontava um jirau, uma plataforma elevada sobre a qual crepitava uma fogueira que poderia ser avistada a 60 quilômetros de distância e servia como elemento de comunicação entre os povos.” (In https://jesuitasbrasil.org.br/ )
Do ponto de vista evangelizador, Pe Leonardo Envall Dieckmann destaca que “trouxeram as sementes do Evangelho e semearam essa Boa Nova no coração dos povos indígenas que aqui encontraram. Movidos pelo desejo de edificar comunidades, os missionários foram os precursores de um projeto novo, audacioso e que serviu como modelo de uma nova sociedade. As Missões Jesuítico-Guarani foram um grande projeto civilizatório, no qual a Igreja contribuiu para o encontro desses povos com a fé cristã, mas, também aprendeu dos povos indígenas um senso comunitário de autocuidado e fraternidade que já havia se perdido na sociedade europeia. Havia uma compreensão de integralidade do ser humano em sua relação com a terra e todas as formas de vida. Essa compreensão gerava uma relação de cuidado com a terra e seus frutos, rompendo com a mentalidade de mera exploração. Nas relações humanas em sociedade, por exemplo, o compromisso com a educação e o cuidado com as crianças não se restringia apenas aos pais, mas, era um dever de toda a comunidade. Nos diversos serviços realizados, seja no plantio da terra, no cultivo das plantas, nos setores de construção e manutenção da redução, tudo era realizado de forma coletiva, de tal modo que, todos eram estimulados a aprender uma atividade e, consequentemente, davam a sua contribuição para a manutenção da comunidade. Assim, as Missões eram realmente um projeto inovador, visando um ideal de comunidade inspirada nas primeiras comunidades cristãs, conforme as Sagradas Escrituras (cf. At 2,44), de uma comum unidade.” (In: https://www.diocesedesantoangelo.org)
Diante do relato histórico e evangelizador deste projeto que completa 400 anos, é importante pensar que a história da fé cristã católica teve uma importante participação na organização dos povos guaranis que habitavam a região. Apesar de que esta primeira fase durou pouco tempo, e os padres Roque, Afonso e João foram martirizados. Depois tiveram outras fases de implantação do projeto missionário e a organização social das demais reduções, que chegaram mais ao leste com a Redução de Santa Tereza, na atual cidade de Passo Fundo. Hoje existe um monumento na avenida Brasil, bairro Boqueirão recordando esta terra também foi cuidada e evangelizada pelos padres jesuítas.